A campanha de angariação de fundos para a compra do retrato de D. Frei José Maria da Fonseca Évora, lançada em outubro do ano passado pelo Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), em Lisboa, já ultrapassou os seis mil euros. A pequena pintura está avaliada em dez mil euros.

Realizado provavelmente na década de 1730, quando José Maria da Fonseca residia em Roma, onde foi embaixador de Portugal durante mais de 20 anos, a miniatura, pintada sobre marfim, mostra o frei português segurando um grosso volume. No fundo é possível ver várias estantes com livros, uma possível referência à biblioteca de Santa Maria in Aracoeli, cuja reabilitação tomou a seu cargo. A biblioteca foi, na altura, considerada a segunda mais importante em Roma a seguir à do Vaticano.

Lançada no final de outubro de 2016, a campanha é a segunda do género lançada pelo MNAA que, no ano passado, adquiriu o quadro A Adoração dos Magos, do português Domingos Sequeira, graças à contribuição do público. Segundo um comunicado emitido esta quinta-feira pelo MNAA, a angariação para a compra do retrato de José Maria da Fonseca, de autor desconhecido, já atingiu os 6.010 euros.

Por altura da inauguração da exposição A Cidade Global, em fevereiro deste ano, o diretor do MNAA, António Filipe Pimentel, disse ao Observador que a angariação de fundos estava a correr normalmente, de forma “tranquila”. “Isto é uma campanha de seis meses para uma verba pequena, mas a verdade é que tivemos uma generosíssima angariação de um casal americano, que doou 500 euros, que são 5% da aquisição.”

Avaliado em dez mil euros, a campanha de angariação para a compra do quadro termina a 30 de maio. Na próxima semana, na terça-feira, a historiadora Teresa Leonor Vale irá divulgar publicamente os dados da investigação feita ao retrato de José Maria da Fonseca, uma das mais prestigiadas figuras da cultura portuguesa do reinado de D. João V.