Cinema

Três filmes para ver esta semana

Uma animação sobre um bebé e o seu irmão mais velho, um filme adaptado de uma obra de Joseph Conrad, e "Contos da Lua Vaga", de Kenji Mizoguchi, são as escolhas de Eurico de Barros esta semana

Confronto de irmãos em "The Boss Baby", a nova longa-metragem animada da DreamWorks

Autor
  • Eurico de Barros

“The Boss Baby”

Pegar num bebé, vesti-lo como um executivo e pô-lo a comportar-se e a falar como um executivo e pespegar-lhe a voz de Alec Baldwin, é uma ideia com piada. Só que em Portugal a ideia esbate-se, porque a nova longa-metragem de animação da DreamWorks, “The Boss Baby”, de Tom McGrath, só se vai estrear em versão dobrada, e não também em versão original legendada. O filme pretende ser, ao mesmo tempo, uma sátira à cultura e à mentalidade empresarial, para apanhar o público adulto, e uma história fofinha sobre o efeito da chegada de um bebé a uma família com um filho único, habituado a ser o centro das atenções e dos mimos, e que de repente se vê arredado para segundo plano. O argumento é laborioso e algo confuso, mesmo para os mais crescidos – o ponto de vista é o da imaginação fértil do filho de sete anos, mas a coisa não é apresentada com suficiente clareza -, e o que safa (parcialmente) “The Boss Baby” é a qualidade da animação digital, onde convivem um “look” clássico e outro arrevesado, para as sequências mais fantasiadas.

“Juventude”

“Lord Jim”, de Richard Brooks, “Posto Avançado do Progresso”, do português Hugo Vieira da Silva, ou “A Loucura de Almayer”, de Chantal Akerman, são algumas das adaptações de livros e contos de Joseph Conrad ao cinema. A elas junta-se agora “Juventude”, a primeira longa-metragem de ficção do documentarista francês Julien Samani, uma produção de Paulo Branco que conta com alguns actores portugueses no elenco. A fita centra-se em Zico, um jovem que aspira romanticamente pelo mar alto e por terras distantes, e consegue ser aceite como grumete num cargueiro decrépito e com uma tripulação muito pouco simpática. Os meios de “Juventude” são obviamente limitados, mas mesmo assim, Samani consegue levar a bom porto, e dentro de uma duração aceitável, esta história de uma iniciação à vida marítima que vem acompanhada de uma decepção. É que muitas vezes, mesmo no mar alto, os sonhos mais bonitos vão desfazer-se contra o muro da realidade dura e feia.

“Contos da Lua Vaga”

Apenas um terço da vasta obra do mestre nipónico Kenji Mizoguchi (1898-1956) sobreviveu e está disponível hoje. Oito desses filmes, alguns já vistos em Portugal e outros inéditos, e exibidos em cópias restauradas, compõem o Ciclo Kenji Mizoguchi que vai estar no Espaço Nimas, em dois tempos. O primeiro, de hoje a 10 de Maio, inclui “Contos da Lua Vaga”, “Os Amantes Crucificados” e “A Mulher de Quem se Fala”. O segundo, a partir de 11 de Maio, apresentará “Festa em Gion”, “A Senhora Oyu”, “A Imperatriz Yang Kwei Fei”, “O Intendente Sanshô”, “Rua da Vergonha” e “O Conto dos Crisântemos Tardios”, mantendo em cartaz “Os Amantes Crucificados”. “Contos da Lua Vaga” passa-se no Japão em guerra civil do século XVI, e é ao mesmo tempo uma fábula moral, um filme realista e uma história sobrenatural, onde se revela uma tensão constante em toda a obra de Mizoguchi, entre o respeito pelos valores tradicionais e o impulso individualista, e ressalta o tema contínuo e unificador da sua filmografia: a mulher e a sua situação na sociedade japonesa. “Contos da Lua Vaga” foi escolhido pelo Observador como filme da semana, e pode ler a crítica aqui.

Agora que entramos em 2019...

...é bom ter presente o importante que este ano pode ser. E quando vivemos tempos novos e confusos sentimos mais a importância de uma informação que marca a diferença – uma diferença que o Observador tem vindo a fazer há quase cinco anos. Maio de 2014 foi ainda ontem, mas já parece imenso tempo, como todos os dias nos fazem sentir todos os que já são parte da nossa imensa comunidade de leitores. Não fazemos jornalismo para sermos apenas mais um órgão de informação. Não valeria a pena. Fazemos para informar com sentido crítico, relatar mas também explicar, ser útil mas também ser incómodo, ser os primeiros a noticiar mas sobretudo ser os mais exigentes a escrutinar todos os poderes, sem excepção e sem medo. Este jornalismo só é sustentável se contarmos com o apoio dos nossos leitores, pois tem um preço, que é também o preço da liberdade – a sua liberdade de se informar de forma plural e de poder pensar pela sua cabeça.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)