Pobreza

Unicef. Crise financeira de 2007 fez aumentar pobreza infantil em dois terços

A crise financeira e económica que se seguiu à falência do Lehman Brothers em 2007 resultou num aumento da pobreza infantil na Europa na ordem dos dois terços.

O estudo apresenta uma perspetiva comparativa nos 41 países da OCDE e da UE e uma análise detalhada sobre onze países

FRANCIS R. MALASIG/EPA

Autor
  • Agência Lusa

A crise financeira e económica que se seguiu à falência do Lehman Brothers em 2007 resultou num aumento da pobreza infantil na Europa na ordem dos dois terços, de acordo com um relatório da Unicef divulgado esta quinta-feira. Este aumento ao longo da última década foi mesmo superior a 15 pontos percentuais no Chipre, na Islândia e na Grécia e entre sete e nove pontos percentuais na Hungria, Itália e Espanha.

O estudo “Crianças da austeridade: O impacto da Grande Recessão na pobreza infantil em países ricos”, da responsabilidade do Centro de Investigação – Innocenti da UNICEF, em colaboração com 16 instituições de investigação internacionais, dá conta dos efeitos da crise e das respetivas respostas políticas dos governos nas crianças em países de rendimento elevado.

O estudo apresenta uma perspetiva comparativa nos 41 países da OCDE e da UE e uma análise detalhada sobre onze países. “Nos países ricos, muitas crianças foram gravemente afectadas pela crise económica global, com a pobreza infantil – comparativamente a níveis pré-crise – a aumentar em muitos países”, afirmou num comunicado enviado às redações Yekaterina Chzhen, do Centro Innocenti e que é também coeditora da publicação e autora principal do capítulo comparativo. “Este é o primeiro estudo internacional sobre os efeitos da crise e as respostas dos governos que coloca o enfoque nas crianças nos países ricos”, afirmou.

De acordo com o estudo, os gastos com as famílias e as crianças na Europa “baixaram quando eram mais necessários. Nenhum país europeu aumentou os gastos em benefícios para as famílias e dois terços reduziram as despesas per capita, enquanto os gastos em pensões aumentaram em toda a amostra entre 2010 e 2013”.

Na área da Saúde, as taxas de “necessidades de saúde não satisfeitas” aumentaram significativamente nos agregados familiares mais pobres em todos os países da amostra, e em particular, na Grécia e em Espanha. A crise e a austeridade acentuaram, por outro lado, grandes disparidades entre regiões. “A pobreza infantil ‘fixada no tempo’ aumentou 20% no norte de Itália e 50% no sul do país entre 2008 e 2014; no Reino Unido, a taxa de pobreza infantil na Irlanda do Norte subiu de 23 para 27%, enquanto desceu 2-4 pontos na Escócia, em Inglaterra e no País de Gales”, refere o comunicado.

Em contrapartida, a pobreza infantil nos Estados Unidos não subiu tanto quanto se esperava. Apesar de um aumento do desemprego para quase o dobro, verificou-se apenas um aumento marginal da pobreza infantil nos EUA. “Uma maior generosidade e cobertura da rede de segurança social durante a crise amorteceram o impacto desta nas famílias com crianças”, concluiu o trabalho. “Proteger o rendimento familiar em tempo de recessão é essencial para combater a pobreza infantil, mas por si só não chega. As crianças são também duramente afectadas quando há cortes nos gastos com escolas e equipamentos de saúde, e quando os pais não conseguem aceder a serviços essenciais, como os cuidados infantis,” afirmou Yekaterina Chzhen.

“A mensagem desta publicação é que, para proteger as crianças em tempos bons e em tempos maus, os governos devem dar prioridade a uma conjugação de apoio universal em termos de rendimentos, baseada na segurança social e testada, com despesas de saúde e educação direccionadas para os que mais precisam”, acrescentou a co-autora do trabalho.

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