Chão do qual os concorrentes parecem brotar como cogumelos, surgindo um novo praticamente todos os dias, e quase sempre sem qualquer passado ou ligação ao sector automóvel, a verdade é que, mesmo envolvendo uma elevada complexidade tecnológica, parecem ser os fabricantes automóveis tradicionais aqueles que melhor se apresentam para liderar o advento da condução autónoma. Quem o afirma é uma consultora especializada norte-americana, denominada Navigant, que, ao levar a cabo um estudo independente sobre quais as empresas melhor colocadas para tornar realidade o carro autónomo, chegou à conclusão de que, afinal, é um dos fabricantes automóveis mais antigos, a Ford, que está mais perto de conseguir comercializar um carro capaz de se conduzir sozinho.

A notícia é avançada pelo site Techcrunch, revelando que o estudo em causa teve como alvo 18 companhias cujo envolvimento na corrida pela condução autónoma é conhecido. E cujo momento actual foi analisado segundo um total de 10 parâmetros relacionados com este desafio – desde a estratégia definida e a capacidade tecnológica, até à capacidade de produção e de desenvolvimento. Sendo que, somados todos estes aspectos, foram os fabricantes ditos tradicionais que melhor posicionados se mostraram para materializar esta nova realidade.

De entre os construtores automóveis, o trabalho desenvolvido pela consultora especializada aponta a norte-americana Ford como a companhia que está na frente da corrida da condução autónoma. Já que, mesmo perdendo para a também norte-americana General Motors na passagem do conceito à prática, a estratégia global definida pela marca da oval deverá permitir-lhe implementar primeiro todo um novo modelo de negócio.

Os outros

Na cabeça do pelotão, enquanto “leaders”, a Navigant coloca ainda a franco-nipónica Aliança Renault-Nissan e a alemã Daimler, proprietária das marcas Mercedes-Benz e Smart. A primeira tecnológica, a Waymo, surge apenas num segundo grupo, que a consultora designa de “contenders” (ou concorrentes directos), conjuntamente com outras companhias como a BMW, o Grupo Volkswagen, o Hyundai Motor Group, a PSA, a Tesla ou a Delphi. Num terceiro grupo, que a consultora chama de “challengers” (ou desafiadores), aparecem então a Uber, a chinesa Baidu, a americana nuTonomy… e a Honda.

Reagindo ao estudo, o vice-presidente executivo e responsável máximo pela Tecnologia na Ford Motor Company, Raj Nair, afirmou já a sua satisfação pela posição atribuída à companhia neste trabalho. Desde logo, porque a abordagem do mesmo vai muito para lá de aspectos como o desenvolvimento dos sensores de hardware ou dos sistemas de software.

Aliás e sobre este aspecto em concreto, importa referir que um dos parâmetros que contribuiu para a vitória da Ford na investigação da Navigant terá sido os fortes investimentos feitos pela companhia no sentido de garantir todos os instrumentos capazes de contribuir para o alcançar do objectivo. Desde logo, as avultadas somas aplicadas, durante o último ano, em empresas como a Civil Maps, a Velodyne ou a startup de inteligência artificial autónoma Argo. Assim como na aquisição de companhias como a Chariot ou da startup focada em plataformas de algoritmos SAIPS.

Tudo isto, combinado com o know-how industrial já reunido pela marca da oval, terá levado os responsáveis pelo estudo a acreditar que a Ford estará, neste momento, melhor preparada para concretizar todo um novo modelo de negócio, do que os seus adversários. Os quais, conclui o mesmo relatório, têm mostrado, até aqui, uma maior preocupação (excessiva?) com a vertente tecnológica.