Isaltino Morais vai recandidatar-se à presidência da Câmara Municipal de Oeiras pelo movimento INOVAR — Oeiras de Volta. O anunciou — feito este sábado através de um comunicado — acontece depois de o atual presidente, Paulo Vistas ter dito que ia voltar à corrida pelo IOMAF. Morais vai apresentar formalmente a candidatura na próxima quarta-feira.

Depois de ter liderado o município de Oeiras enquanto militante do PSD, Isaltino Morais foi eleito presidente pelo IOMAF — Isaltino Oeiras Mais à Frente, em 2005 e 2009. Em 2013, quando foi detido para cumprir uma pena de prisão por fraude fiscal e branqueamento de capitais, foi substituído pelo seu número dois, Paulo Vistas, vice-presidente do executivo.

Meses depois, nas autárquicas, Paulo Vistas foi eleito presidente pelo IOMAF, uma candidatura que repete este ano, mas com uma alteração na definição do nome do movimento, agora apresentado como Independentes Oeiras Mais À Frente. “O ‘i’ é de independente e não de Isaltino. Foi ele que quis sair do projeto, que, contudo, vai continuar”, afirmou à Lusa em março.

Isaltino Morais considerou a situação “incompreensível e absurda”, referindo que se trata de uma tentativa de confundir os eleitores e que o projeto do seu sucessor “não pode ser o mesmo” do IOMAF por si criado, até porque “os protagonistas são diferentes”.

Já este mês, depois de o PSD divulgar o nome do seu candidato, Isaltino Morais — que saiu em liberdade condicional em 2014 para cumprir o resto da pena em casa — anunciou que estava na corrida autárquica. “Sou candidato à Câmara de Oeiras nas próximas eleições autárquicas e tomei esta decisão porque o povo de Oeiras, os eleitores, os cidadãos de Oeiras praticamente exigiram que eu fosse candidato”, disse.

Eleito pela primeira vez em 1985, pelo PSD, Isaltino conseguiu renovar os mandatos de 1989 até 2009, apenas com uma interrupção de três anos. Durante parte deste período, foi ministro das Cidades, Ordenamento do Território e Ambiente. Foi candidato pelo PSD pela última vez em 2001, quando venceu as autárquicas com 55% dos votos.

Enquanto líder do IOMAF — depois da rutura com o partido –, foi eleito com cerca de 34% da votação em 2005 — quando era arguido num processo judicial, acusado de corrupção passiva, branqueamento de capitais, abuso de poder e fraude fiscal — e com 41,52% em 2009, já condenado a sete anos de prisão. Após vários recursos, viu a pena ser reduzida para dois anos pelos crimes de branqueamento de capitais e fraude fiscal.

O caso teve origem em contas bancárias na Suíça e na Bélgica não declaradas ao fisco e ao Tribunal Constitucional. A acusação alegava que o autarca aproveitava as contas de uma ex-secretária e de um sobrinho na Suíça, taxista, para ocultar avultadas quantias.

Na corrida por Oeiras foram já anunciados, além de Paulo Vistas e Isaltino Morais, os candidatos Ângelo Pereira (líder do PSD/Oeiras e vereador), Pedro Perestrello (Partido Nacional Renovador) e Heloísa Apolónia (deputada de “Os Verdes” que concorre pela CDU).