Milhares de pessoas manifestaram-se este sábado em Budapeste para criticar, desta vez de modo irónico, as políticas autoritárias do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban.

Classificada de “manifestação mais divertida da Hungria” pelos meios de comunicação social, o desfile, organizado pelo partido satírico do Cão com Duas Caudas (MKKP), juntou entre 2.000 a 3.000 pessoas, de acordo com as estimativas, no centro da capital da Hungria.

Transportando cartazes humorísticos, os manifestantes pediram “mais demagogia” e gritaram “abaixo a imprensa, abaixo a educação”, tendo exigido a construção de uma ligação ferroviária direta com Moscovo e a Coreia do Norte. “Chega desse absurdo chamado democracia” foi outro dos ‘slogans’ utilizados na manifestação.

A “marcha da paz pelo governo, pela Rússia e contra tudo o resto” juntou “pelo menos 30 milhões” de pessoas, anunciou solenemente o presidente do MKKP, Gergely Kovacs.

Referindo-se a Orban, acusado de laços estreitos com Moscovo, Kovacs felicitou-o por ter “recusado a introdução do euro”, lamentando “não poder ainda pagar com o rublo” russo.

Regularmente criticado pelos laços com o presidente russo, Vladimir Putin, as propostas xenófobas e os ataques contra a imprensa e a sociedade civil, Orban enfrenta desde o início de abril um vasto movimento de protesto, provocado pela aprovação de uma lei que restringe as condições para as instituições de ensino estrangeiras.

Ratificada pelo presidente Janos Ader, a lei pode levar ao encerramento da Universidade da Europa Central, fundada em Budapeste pelo milionário norte-americano George Soros, que Orban vê como um adversário.

O governo pretende, por outro lado, aprovar até ao final do mês uma lei para reforçar o controlo sobre as organizações não-governamentais que beneficiam de financiamentos estrangeiros, nomeadamente as que são apoiadas por Soros.