Uma série de imagens captadas pela Reuters no Afeganistão – na zona que terá sido atingida pela “mãe de todas as bombas”, lançada pelos EUA no passado dia 13 de abril – revelam que os danos causados terão sido bastante menores do que os pretendidos. As imagens questionam também o real impacto da bomba não-nuclear que, de acordo com as forças militares norte-americanas, teria destruído túneis usados por elementos do Estado Islâmico e causado ainda a morte a 36 combatentes do grupo terrorista.

As novas fotografias, contudo, mostram um cenário um pouco diferente. O alvo do ataque norte-americano eram túneis e outras infraestruturas ao serviço do Estado Islâmico, mas as fotografias de Parwiz pouco mais mostram do que árvores queimadas e algumas casas danificadas na zona.

Nas legendas das imagens, o fotógrafo regista que, apesar dos danos óbvios em algumas árvores e casas na região de Achin, a algumas dezenas de metros é possível ver outras árvores intactas e ainda com folhas. Uma inspeção feita na zona por forças especiais afegãs, também fotografada por Parwiz, permitiu ainda circular por uma série de túneis também com poucos vestígios de destruição.

Estas fotografias e informações agora reveladas colocam assim em dúvida o verdadeiro impacto causado pelo lançamento da bomba e o alegado falhanço dos alvos marcados pelo ataque dos EUA. Além de que, como reforça o repórter fotográfico, “a zona é bastante remota” e há “poucos sinais que comprovem a morte de quase 100 combatentes”.

MOAB, a segunda bomba não-nuclear mais potente do mundo

A GBU-43 Massive Ordnance Air Blast — cuja sigla MOAB lhe valeu a alcunha de “Mother of All Bombs” ou, em português, “mãe de todas as bombas” — é a mais potente bomba não-nuclear usada pelos EUA. A primeira será, alegadamente, o “pai de todas as bombas” (FOAB), uma criação russa que ainda não foi testada.

A bomba com assinatura norte-americana pesa 9,5 toneladas (8,4 são explosivos) e consegue uma explosão com um diâmetro de 1,4 quilómetros. Mas, neste caso, há dúvidas sobre a potência com que atingiu a província afegã de Nangarhar, a 13 de abril, cujas expetativas iniciais apontavam para uma “onda de destruição até 1,6 quilómetros”, descreve o fotógrafo da Reuters.

De acordo com as informações divulgadas na altura pelo assessor da Casa Branca, Sean Spicer, o objetivo era acabar com um “sistema de túneis” do grupo radical autoproclamado Estado Islâmico, que permitia aos seus milicianos “mover-se com liberdade e atacar com mais facilidade os militares norte-americanos e as forças afegãs”. E foi uma das investidas ordenadas pelo presidente Donald Trump poucos dias depois do lançamento de mísseis contra uma base militar na Síria.

O ataque teria causado a morte de pelo menos 36 combatentes daquele grupo radical, informou depois o governo afegão. O próprio ministério da Defesa avançou, em comunicado, que uma rede de túneis tinha sido destruída. O Estado Islâmico, porém, desmentiu ter sofrido baixas no bombardeamento. “Uma força de segurança desmentiu à agência Amaq a existência de qualquer morto ou ferido no ataque americano de ontem em Nangarhar”, indicou a Amaq, citada pela Agência Lusa.

O vídeo do bombardeamento pela GBU-43 seria depois divulgado pelo Pentágono. Mas os verdadeiros dados causados pelo seu impacto são agora questionados pelas novas imagens da Reuters.