A Organização Mundial de Saúde (OMS) desafiou os países a acelerarem e a ampliarem os esforços para prevenir a malária e salvar vidas, principalmente em África.

“Hoje instamos os países e os parceiros para acelerarem o ritmo das suas ações, especialmente nos países de baixos rendimentos com grande carga da malária”, afirmou o diretor do Programa Global contra a Malária da OMS, Pedro Alonso, numa cerimónia em Nairobi, na véspera do Dia Mundial da Malária.

Na África subsaariana, que suporta 90% da carga global da malária, foram evitados mais de 663 milhões de casos desde 2001, um facto atribuído principalmente ao uso de mosquiteiros tratados com inseticidas, refere a OMS em comunicado.

Além do diagnóstico e tratamento, a OMS recomenda uma série de intervenções preventivas, entre as quais se encontram os mosquiteiros tratados com inseticida, a pulverização das paredes internas das casas com inseticida e o tratamento profilático dos grupos mais vulneráveis: grávidas, lactentes e menores de cinco anos.

“Os instrumentos recomendados pela OMS têm sido um grande avanço na luta mundial contra o paludismo”, afirma a diretora-geral da OMS, Margaret Chan, no comunicado.

Contudo, salientou Margaret Chan, “a prevenção requer um impulso muito maior, especialmente em África, que suporta a maior parte da carga de doença”.

O último relatório da OMS destaca as deficiências cruciais na cobertura de prevenção, especialmente na África subsaariana.

Segundo as estimativas, 43% das pessoas em risco de contrair malária nesta região ainda não estavam protegidas em 2015 por medidas preventivas, como os mosquiteiros, e cerca de 69% das grávidas de 20 países africanos nem tiveram acesso a três ou mais doses de tratamento profilático.

Apesar de alguns países terem incorporado nas suas políticas estas medidas preventivas, “a sua aplicação tem sido lenta”, refere a OMS.

Por exemplo, os tratamentos profilático para os recém-nascidos, “que são seguros, eficazes e bem aceites pelos profissionais de saúde e pela população”, apenas são aplicados atualmente na Serra Leoa, sublinha

No Sahel, onde a maioria dos casos de paludismo e mortes de crianças por esta causa ocorre durante a estação chuvosa, a OMS recomenda quimioprofilaxia sazonal, um tratamento preventivo que reduz em cerca de 75% os novos casos de malária grave em crianças pequenas.

Segundo o Relatório Mundial da Malária 2016, a taxa de novos casos de malária no mundo diminuiu 21% entre 2010 e 2015, enquanto a taxa de mortalidade diminuiu 29%.

No mesmo período, os novos casos de malária na África Subsaariana baixaram 21% e a mortalidade diminuiu 31%-

Outras regiões têm feito progressos consideráveis ??na luta contra a malária, mas a doença continua a constituir uma grande ameaça para a saúde pública.

Em 2015 registaram-se 429.000 mortes por paludismo e 212 milhões de novos casos, sendo que a cada dois minutos uma criança morre devido a esta doença transmitida por mosquitos.

“Toda a morte por malária é simplesmente inaceitável, uma vez que é uma doença evitável e tratável”, salienta Pedro Alonso.

Noventa e um países informaram que, em 2015, ainda tinham a transmissão da malária, estando todos a trabalhar para reduzir a sua carga através da distribuição e utilização de ferramentas preventivas, diagnósticos e terapêuticas recomendadas pela OMS.

A OMS anunciou hoje que a mais avançada vacina contra a malária, mas que tem eficácia limitada, vai ser testada em grande escala no Quénia, no Gana e no Malaui, sendo o objetivo vacinar pelo menos 360.000 crianças, entre 2018 e 2020.