A sessão solene comemorativa do 43.º aniversário do 25 de Abril começa esta terça-feira às 10h, na Assembleia da República, com intervenções, como é habitual, de todos os partidos com assento parlamentar. Mas, se no ano passado o PSD tinha escolhido a ex-ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, para subir ao púlpito e falar em nome do partido sobre a Revolução dos Cravos — num discurso que foi o mais duro para com a atuação do atual Governo –, desta vez escolheu Teresa Leal Coelho, atual candidata à câmara municipal de Lisboa. Já o PS optou por uma figura mais histórica, e por sinal apoiante de António José Seguro no duelo contra Costa, Alberto Martins.

Num momento em que as autárquicas começam a ser o centro do debate político, o PSD vai mesmo puxar por Teresa Leal Coelho para protagonizar a intervenção parlamentar. Leal Coelho foi escolha pessoal de Passos Coelho para a câmara de Lisboa, depois de um processo polémico e demorado, tendo anunciado a candidatura há um mês. Com esta intervenção, a candidata a Lisboa vai falar publicamente pela primeira vez desde que o presidente da concelhia do PSD de Lisboa, Mauro Xavier, se demitiu na sequência dos desentendimentos com a direção nacional sobre o processo autárquico.

No ano passado, o PSD escolheu a ex-ministra Paula Teixeira da Cruz para discursar, tendo feito um discurso duro para com a maioria de esquerda que apoia o Governo. Nessa altura, Teixeira da Cruz optou por discursar com um cravo na lapela, à semelhança de Pedro Passos Coelho, embora nem todos os sociais-democratas o façam. Marcelo Rebelo de Sousa, que no ano passado discursou pela primeira vez como Presidente da República, optou por uma modalidade mais criativa: levou o cravo na mão, e não ao peito.

Teresa Leal Coelho e Paula Teixeira da Cruz, de resto, costumam sentar-se lado a lado na bancada do PSD e várias vezes têm votado de forma diferente da indicação dada pela bancada em questões fraturantes, como para impedir a criminalização do aborto ou a favor da legalização da adoção por casais homossexuais.

Apesar de Teresa Leal Coelho ser adversária de Assunção Cristas na corrida a Lisboa, não será a presidente do CDS a discursar em nome do partido na sessão solene desta terça-feira. Para essa função, os democratas-cristãos reservaram a deputada Isabel Galriça Neto, médica que tem a pasta da saúde na bancada parlamentar do CDS e costuma dar a cara pela causa contra a legalização da eutanásia. Esse é um tema que, de resto, irá marcar brevemente o debate parlamentar. Há um ano, foi o líder parlamentar Nuno Magalhães a intervir no Parlamento.

Já o PS, que no ano passado tinha escolhido o então líder da JS, João Torres, para intervir no plenário, desta vez optou por um nome com maior peso histórico: Alberto Martins, ex-ministro da Justiça e ex-ministro da Reforma do Estado e da Administração Pública, que apoiou António José Seguro nas primárias frente a António Costa. Alberto Martins foi um dos rostos das lutas estudantis contra o Estado Novo, em Coimbra, tendo ficado célebre o episódio, a 17 de abril de 1960, em que Alberto Martins, na altura presidente da Associação Académica de Coimbra se levantou e, numa afronta ao regime, pediu a palavra a Américo Tomás em nome dos estudantes, acabando por ser preso no dia seguinte.

Do lado do Bloco de Esquerda e PCP, quem vai intervir é a deputada bloquista Joana Mortágua, filha de Camilo Mortágua, um dos protagonistas do Assalto ao paquete Santa Maria e ao Banco de Portugal, e o deputado comunista Jorge Machado. No ano passado os nomes escolhidos tinham sido Jorge Costa e Rita Rato. André Silva, do PAN, e um dos deputados d’Os Verdes, também irão subir ao púlpito.