A temperatura continua a subir nas relações entre os EUA e a Coreia do Norte. Quase ao mesmo tempo que um submarino norte-americano armado com mísseis Tomahawk atracou num porto na Coreia do Sul, a Coreia do Norte decidiu aproveitar o 85º aniversário das suas Forças Armadas para fazer um grande exercício de artilharia de longo alcance.

“A Coreia do Norte está a levar a cabo um exercício de larga escala, de disparo de mísseis de longo alcance, na região de Wonsan, esta tarde”, comunicaram as autoridades da Coreia do Sul esta terça-feira, citadas pela Reuters.

Não há qualquer indicação de que a Coreia do Norte tenha feito um novo teste nuclear, algo que tem sido admitido como possibilidade para as próximas semanas. A opção terá sido por fazer uma demonstração da capacidade da Coreia do Norte em lançar mísseis de longo alcance. A Coreia do Sul garante que está a “acompanhar [as atividades] de forma atenta e pronta” para reagir caso seja necessário.

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A demonstração de poderio militar coreano surgiu praticamente ao mesmo tempo que o submarino USS Michigan se aproximou do porto de Busan, na Coreia do Sul. O submarino está preparado para transportar e disparar mísseis balísticos e mísseis Tomahawk. A Marinha norte-americana garantiu que essa aproximação do submarino a Busan foi uma “operação de rotina”, mas vários observadores dizem que se trata do envio de uma mensagem clara para a Coreia do Norte. Ao mesmo tempo, um porta-aviões — o USS Carl Vinson — tem vindo a fazer exercícios perto da península coreana, por ordens de Donald Trump.

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A outra peça crucial desde puzzle, a China, tem pedido calma e um recuo pacífico nas tensões. A China é o único grande aliado da Coreia do Norte mas opõe-se ao programa coreano de desenvolvimento de armas nucleares. “Esperamos que todas as partes envolvidas, incluindo o Japão, possam trabalhar com a China para promover uma resolução pacífica e rápida do problema”, afirmou um porta-voz do governo chinês.

Donald Trump chegou a dizer que, caso a China não castigasse a Coreia do Norte, os EUA poderiam agir “unilateralmente” para acabar com a ameaça de Pyongyang. Após o encontro entre Trump e o presidente chinês Xi Jinping na Flórida, o presidente norte-americano parece ter recuado um pouco nessas declarações, mas a ameaça de um conflito militar persiste. “Acreditamos que a China tem um papel muito, muito importante a desempenhar”, afirmou o enviado norte-americano para a questão norte-coreana, Joseph Yun.

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