Há uma nova Marine Le Pen desde as eleições de domingo. A candidata da Frente Nacional, que sempre se assumiu como anti-europeísta convicta, disse na última terça-feira, em entrevista à TF1, que não é “inimiga da Europa” e que até que se sente “europeia” – quer é outra Europa.

Não sou uma adversária da Europa, sinto-me europeia. Gostaria que houvesse acordos livres entre as nações, é esta Europa que quero ver emergir e gostaria que a França estivesse na origem desse belo projeto, dessa boa iniciativa.”

Le Pen acrescentou que, se for eleita, entrará em “negociações” com Bruxelas para que a França recupere a soberania e abandone o euro. Depois disso irá submeter o resultado dessas negociações a um “referendo”.

Le Pen defende a existência de “acordos voluntários entre as nações” e que é esse o modelo de Europa que quer “ver surgir”. Deseja ainda que a França, liderada por si, seja o motor “desse grande projeto, dessa bela iniciativa. ” A candidata acredita ainda que teve muito mais do que o voto do protesto na primeira volta das Presidenciais, já que esse tipo de voto “não seria suficiente para passar à segunda volta”. “As pessoas que votaram em mim foi pela minha proposta”, defendeu.

Num piscar de olho também à extrema-esquerda, Le Pen chega a dizer que não é “de esquerda nem de direita” e diz que o seu adversário, Emmanuel Macron, é o arauto da “globalização selvagem.” Le Pen voltou a tentar esbater a ligação partidária: “Não sou a candidata da Frente Nacional, sou a candidata apoiada pela Frente Nacional”.

Sobre as relações internacionais, em especial com os Estados Unidos e a Rússia (Le Pen encontrou-se recentemente com o presidente russo, Vladimir Putin), a candidata de extrema-direita não quer ver o país a “apagar-se”.

A única questão que me colocarei, é sobre o que é bom para a França e para os franceses. Aquilo que é insuportável é o sentimento de que são os Estados Unidos é que decidem e a França vai atrás.”

A entrevista à TF1 pode ser vista aqui.