A HMRC (Her Majesty’s Revenue Costums), o equivalente à Autoridade Tributária e Aduaneira, voltou a atacar no futebol por causa de eventuais crimes de fraude fiscal e, no seguimento de um raide que envolveu cerca de 180 agentes durante a manhã em buscas aos estádios do Newcastle (St. James’s Park) e do West Ham (London Stadium), entre outros locais, deteve mesmo Lee Charney.

Charney, de 39 anos, é uma figura ligada há muito tempo ao Newcastle, tendo desempenhado diversas funções no clube que conseguiu esta semana garantir a subida à Premier League. Nos últimos três anos, ganhou peso na estrutura do futebol e esteve envolvido na contratação do técnico Rafa Benítez e vários jogadores. De acordo com o Daily Mirror, é descrito como uma pessoa calada, tímida e discreta. Acrescente-se que o Newcastle pertence a Mike Ashley, milionário investidor britânico que esteve na mira das autoridades no ano passado pelas mesmas razões.

Foram detidas várias pessoas que trabalham na indústria profissional de futebol por suspeita de fuga aos impostoss e fraude fiscal. 180 agentes fizeram buscas no Reino Unidos e em França durante o dia de hoje. Os investigadores procuraram uma série de premissas no nordeste e no sudeste de Inglaterra e confiscaram registos de negócio, registos financeiros, computadores e telemóveis”, explicou a HMRC em comunicado.

As autoridades francesas estão a ajudar a investigação no Reino Unido e fizeram várias detenções. Esta investigação envia a clara mensagem que, seja quem for, se comete fraude fical tem de enfrentar as consequências do ato”, complementa a missiva distribuída logo de manhã após as buscas.

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O tema da fraude fiscal tem estado particularmente ativo no futebol mundial, com especial incidência em Espanha, mas já tinha sido assunto em Inglaterra entre 2010 e 2012, altura em que a HMRC lançou uma grande investigação em torno dos contratos de imagem com os jogadores, entre outros aspetos. Na altura, estimava-se que podiam ter sido desviadas cerca de 100 milhões de libras em impostos.

Mais tarde, as autoridades fiscais britânicas continuaram a investigação, tendo mesmo enviado questionários pormenorizados aos diretores financeiras dos maiores clubes ingleses por forma a despistar benefícios não declarados.