Almeida Rodrigues, diretor nacional da Polícia Judiciária, irá apresentar uma queixa no Conselho Superior da Magistratura contra o juiz Carlos Alexandre, segundo avança o jornal Público. Em causa está um comentário do juiz durante um interrogatório a propósito da legalização de uma cidadã brasileira.

Os comentários foram feitos, segundo o Público, no decurso de um interrogatório realizado em abril de 2016 a um inspetor da PJ que está a ser investigado por, alegadamente, passar informação que permitia a traficantes de droga contornar o controlo das forças de segurança, recebendo contrapartidas financeiras. Os dois suspeitos fazem parte de um grupo de 27 arguidos, tendo sido acusados de tráfico de droga agravado, associação criminosa e corrupção passiva.

Durante o interrogatório, um elemento da PJ sob suspeita afirmou que um informador da polícia, conhecido pelas ligações ao narcotráfico e ao terrorismo, pediu a legalização da namorada brasileira de 23 anos como recompensa, em vez de receber um pagamento em dinheiro. Segundo este testemunho, a iniciativa de propor a legalização terá partido da Polícia Judiciária. No entanto, a reação de Carlos Alexandre foi inesperada. Afirmando que se dependesse de si, a questão seria escalpelizada até onde fosse necessário. O juiz surge citado como tendo afirmado:

O dr. Almeida Rodrigues a assinar um pedido para que uma cidadã brasileira ficasse como cidadã nacional por compensação de um bom serviço à polícia? Não me revejo em nada disso e vou reponderar essa parte gaga”.

Ainda que tenha admitido que tal compete ao Ministério Público, Carlos Alexandre sublinhou que não se revia nessa atitude. Estas declarações críticas do juiz já tinham sido reveladas pelo jornal Sol e caíram mal junto da direção da PJ que acusa Carlos Alexandre de desconhecer as diferenças na lei entre obter autorização permanente em território português e conseguir a nacionalidade.

“O juiz não sabe o que está a dizer. Desconhece a lei e faz comentários desajustados”, afirma Almeida Rodrigues, numa declaração atribuída pelo jornal Público que cita fontes próximas do diretor nacional da PJ, segundo as quais, este vai fazer queixa por violação dos deveres de correção, imparcialidade e reserva atribuídos a um magistrado.