O Banco Central Europeu (BCE) manteve as taxas de juro inalteradas na zona euro, bem como o programa de compra de ativos, enquanto avalia a força da recuperação da economia e os riscos de turbulência política.

O conselho de governadores dos bancos centrais do euro reafirmou esta quinta-feira que o programa de estímulo aos mercados se vai manter ao ritmo de 60 mil milhões de euros por mês, um valor que é inferior aos 80 mil milhões de euros que estiveram em vigor em abril. Os responsáveis pela política monetária do euro sinalizaram ainda que as taxas de juro diretoras se vão manter ao atual nível — – 0,4% para depósitos e 0,25% para cedências de liquidez — ou até mais baixo por um período longo de tempo, que irá além do horizonte do programa de compra de ativos.

Este programa irá manter-se flexível em dimensão e duração, preparado para o caso da perspetiva económica se mostrar menos favorável. A cautela é ainda a palavra de ordem em Frankfurt, onde fica a sede do BCE. Para o presidente Mario Draghi, as pressões inflacionistas ainda estão fracas para mudar o rumo da política monetária.

“É verdade que o crescimento está a acelerar e que as coisas estão melhores. Se no ano passado, falávamos de uma retoma frágil desigual. Agora é sólida e generalizada”, disse Draghi na conferência após o anúncio da decisão do BCE. Estes sinais positivos animaram a discussão sobre uma possível viragem da política do BCE, na mesma direção que foi tomada pela Fed dos Estados Unidos que já está a subir as taxas de juro. Os analistas admitem agora que os primeiros indícios de uma mudança na orientação do BCE poderá ser sinalizada a 8 de junho quando o conselho de governadores anuncia a política e as projeções económicas.

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Apesar do tom otimista, o presidente do BCE deixou avisos. “Os riscos que rodeiam as perspetivas de crescimento na zona euro, apesar de evoluírem numa configuração mais equilibrada, ainda estão inclinados para o lado negativo. As pressões de inflação continuam subjugadas e ainda têm de demonstrar uma tendência convincente de subida”.

Draghi considera ainda que os riscos políticos do do Brexit ainda não estão ultrapassados. Não devemos pensar que o efeito acabou. Uma das consequências que pode resultar da saída do Reino Unido da União Europeia está o contágio nas relações comerciais e nos negócios. Vai depender da forma como correrem as negociações. Questionado sobre um eventual impacto das eleições presidenciais francesas, Draghi evitou responder: “No conselho de governadores discutimos políticas e não políticos”.