Um gancho de direita apontado ao queixo de Emmanuel Macron. Na quarta-feira, no arranque da segunda e decisiva fase da corrida ao Eliseu, o ex-ministro da Economia francês foi recebido com assobios e apupos durante uma visita a uma fábrica de eletrodomésticos na sua cidade natal, em Amiens. Tudo aconteceu depois de Marine Le Pen ter aproveitado o facto de o independente não ter reunido com os trabalhadores da empresa para voltar os funcionários em greve contra o antigo governante. Um gesto que deixa já algumas pistas sobre a estratégia da candidata da extrema-direita nesta segunda volta, vão registando os jornais franceses: explorar e capitalizar todos os erros do inexperiente Macron.

O independente decidira reunir-se com os delegados sindicais da Whirlpool numa sala da Câmara de Comércio de Amiens para discutir a situação daquela unidade, que poderá ser deslocada para a Polónia. Numa jogada de antecipação, Le Pen apareceu de forma não anunciada nas instalações da fábrica para garantir, junto dos trabalhadores em greve, que, se dependesse dela, a fábrica não seria encerrada. “Uma emboscada” que transformou a ação de campanha de Macron num “grande embaraço”, escreve o Le Figaro.

“Quando soube que Emmanuel Macron vinha aqui [às instalações da Whirlpool] mas não queria reunir-se com os trabalhadores da empresa, considerei um gesto de grande desprezo por vocês”, atirou Le Pen, dirigindo-se aos trabalhadores em greve, em pleno parque de estacionamento da fábrica. A estratégia deu bom resultado: no Twitter, primeiro, e depois nos vários órgãos de comunicação social franceses, começaram a circular fotografias da candidata da extrema-direita ao lado dos trabalhadores da Whirlpool. Horas depois, quando Macron visitou a unidade, já a maré tinha virado.

O ex-ministro da Economia francês, de resto, não deixou de registar o desagrado perante o gesto da adversária. “Marine Le Pen veio a Amiens porque eu também vim”, afirmou Macron, em conferência de imprensa. “É rude, nós não exploramos a miséria das pessoas”, acrescentaria depois, acusando Le Pen de alimentar a “fúria” dos trabalhadores contra ele. Para os media franceses, no entanto, Macron foi derrotado no próprio jogo.

O primeiro embate entre os dois nesta segunda fase da corrida presidencial está a ser entendido como um sinal dos erros que Macron não pode cometer se quiser alimentar a esperança de bater Le Pen na próxima ida às urnas.

Le Pen aparece de surpresa em fábrica visitada por Macron