O Alentejo tem “grandes oportunidades” de atrair investimento com projetos de desenvolvimento científico nas áreas da alimentação e da água, explorando nomeadamente a relação clima e agricultura, defendeu hoje o comissário europeu Carlos Moedas.

“Tudo o que tem a ver com área da alimentação e água temos grandes oportunidades no Alentejo. E é uma das linhas que temos de desenvolvimento científico, o efeito do clima na agricultura e da agricultura no clima, podendo a agricultura servir de técnica de absorção de dióxido de carbono”, disse Carlos Moedas no final de dois dias de visitas a polos de investigação, ciência e inovação a que chamou “Roteiro da Ciência”.

Natural de Beja, onde hoje percorreu a feira de agricultura Ovibeja e encontrou amigos e conhecidos, o comissário português lembrou depois aos jornalistas que a região atraiu 29 projetos do programa Horizonte 2020 (com um total de apoios para projetos de investigação e inovação de cerca de 80 mil milhões de euros), num total de sete milhões de euros. “Uma grande vitória para o Alentejo e para os alentejanos”, disse.

Do programa europeu, disse o comissário português que o gere, são países como a Alemanha e Reino Unido os que mais têm aproveitado, mas também outros como a Suécia, a Dinamarca ou a Finlândia, “que têm investido mais na inovação e ciência desde há 10 ou 15 anos”.

“O desafio de países como Portugal é tornarem-se em certas áreas polos de atração desse talento, no caso da alimentação e água temos grande potencial”, disse Moedas.

E lembrou depois o novo projeto PRIMA, dotado de 440 milhões de euros (metade por parte da União Europeia e o restante de países que integram o projeto, Portugal incluído) e que será votado pelo Parlamento Europeu em Junho, destinado a projetos relacionados com a alimentação, por exemplo novas técnicas de produção ou sementes mais produtivas, mas também com a água.

“Na área da água tem a ver com novas técnicas como a dessalinização, que já se faz em pequena escala (…), e depois vamos investir muito na reutilização da água”, disse o comissário europeu, lembrando que há um grande gasto de água potável e que água com menor qualidade poderia ser reutilizada de muitas formas.

O “Roteiro da Ciência” no Alentejo, depois de três outros “roteiros” por Coimbra, Madeira e Minho e também para explicar a ação da Comissão Europeia na promoção da investigação e conhecer casos de sucesso nessa matéria, levou o Comissário a conhecer projetos de armazenamento de energia de base solar, de segurança na Internet, de valorização de resíduos, de investigação e de ensaios, tudo ao nível do que melhor se faz no mundo.

Nos dois dias Carlos Moedas falou sempre da grande capacidade que Portugal está a ter para absorver ajudas à investigação, inovação e ciência do “bolo” dos 80 mil milhões do Horizonte 2020, comparando com outros momentos no passado. Até agora Portugal já absorveu mais de 360 milhões de euros, podendo chegar a 2020 com mil milhões, o dobro do que conseguira antes, disse.

Hoje, mesmo no final, quando questionado pela Lusa sobre o relatório sobre a dívida portuguesa feito pelo PS e pelo Bloco de Esquerda (que propõe nomeadamente a reestruturação da dívida em 31%, para 91,7% do Produto Interno Bruto), Carlos Moedas disse que esse tipo de relatórios “são sempre bem vindos” e que o tema “é importante para a Europa”, mas, acrescentou: “terá de ser sempre uma solução europeia e consensual entre os vários países”.