“De forma sustentável, é seguramente possível mas não é provável”. A afirmação, divulgada nesta segunda-feira, é do antigo presidente da Reserva Federal norte-americana que, em declarações à estação de televisão CNBC, se revelou cético em relação à possibilidade de a taxa de crescimento da economia dos Estados Unidos vir a atingir 3%, tal como consta dos objetivos da atual administração do país.

Ben Bernanke reconheceu que a maior economia do Mundo está a exibir um bom desempenho, mas mostrou ter dúvidas sobre o cumprimento das metas ambiciosas de Donald Trump. Entrevistado no programa Squawk Box, o antecessor de Janet Yellen admitiu que os cortes fiscais prometidos pelo presidente norte-americano poderão provocar um solavanco nas despesas de consumo, mas acrescentou que este estímulo não será suficiente para garantir os objetivos de Trump.

Sobre o facto de prever um ritmo de crescimento lento na economia norte-americana, o antigo responsável pela política monetária dos Estados Unidos responsabilizou a situação às mudanças que se verificaram na economia global. “Não estamos no Mundo em que vivíamos há 20, 30 anos”, declarou. “A nossa força laboral está a crescer de forma lenta”, acrescentou, sublinhando os problemas demográficos nos Estados Unidos, e “o número de pessoas disponíveis para trabalhar não e consistente com uma taxa de crescimento de 4%”.

O antigo presidente da Reserva Federal manifestou-se “satisfeito” com a sua atuação durante a crise financeira do subprime e nos anos subsequentes na Grande Recessão. “Não foi há muito tempo que as pessoas em programas como este diziam que íamos enfrentar hiperinflação e enormes bolhas especulativas nos mercados de ações, bem como um colapso do dólar, e que todo o género de coisas horríveis estavam para acontecer. Na verdade, tudo correu de maneira suave”, considerou Ben Bernanke.