Papa em Fátima

Nem cópia, nem inspiração. Joana Vasconcelos diz que terço brasileiro “não tem nada a ver” com o de Fátima

5.795

Desde que João Paulo II foi ao Rio em 1997, todos os anos no Brasil um terço gigante suspenso é erguido junto ao convento da Penha, no Estado de Espírito Santo. Joana Vasconcelos nega "cópia".

Afinal havia outro. Após ser conhecida a instalação “Suspensão”, de Joana Vasconcelos — um terço suspenso gigante que foi inaugurado na terça-feira no Santuário de Fátima e que vai ser aceso quando o papa Francisco entrar no recinto– começaram a circular nas redes sociais fotografias de um terço idêntico que foi erguido entre duas palmeiras em 1998, em Vila Velha, no estado de Espírito Santo, Brasil. Ao Observador, a artista plástica diz que “desconhecia” o terço brasileiro, mas que os dois terços “não têm nada a ver um com o outro”.

Aquilo é um terço pequenérrimo feito de esferovite.”

Para Joana Vasconcelos não há a mínima hipótese de se falar em “cópia”, já que é a mesma coisa que dizer que “o coração de Viana é uma cópia.” A artista plástica explica: “Eu, por exemplo, já fiz uma obra que é um sapato, mas já vários outros artistas representaram o sapato. Ou, por exemplo, um carro, que é uma figura já interpretada por vários artistas. Neste caso, é um terço e há vários artistas a representar terços”. E acrescentou: “Ainda agora, na visita do Papa ao Egito fizeram um terço de balões”.

Joana Vasconcelos explicou ainda que o seu terço é único pela “integração no espaço” e porque “ilumina à noite, com uma luz fluorescente, que é típica das estátuas da Nossa Senhora em Portugal. À noite faz um efeito que só existe em Fátima.”

O terço de Joana Vasconcelos foi inaugurado na terça-feira à entrada da Igreja da Santíssima Trindade, no Santuário de Fátima, obra encomendada pelo templo no âmbito das comemorações do Centenário das Aparições. A peça, denominada “Suspensão”, feita de contas brancas, tem 26 metros e vai ser iluminada pela primeira vez na noite de 12 de maio, quando o papa Francisco entrar no recinto do santuário para, com os milhares de peregrinos aí presentes, se preparar para rezar o terço.

No dia da inauguração, Joana Vasconcelos referiu que a peça “tem a ver com esta relação entre o céu e a terra e a luz” que ilumina o caminho, adiantando ter “muito gosto” em poder fazer parte do centenário, “deste momento tão importante para Portugal e para os portugueses, e poder colaborar nesta mensagem de paz”.

O gémeo brasileiro do terço de Fátima

Mas afinal qual é a história do terço gémeo do que foi inaugurado em Fátima? Em 1998, um médico ginecologista e obstetra, decidiu erguer um terço suspenso em duas palmeiras junto ao Convento da Penha, na cidade brasileira de Vila Velha. Para o instalar pediu ajuda à corporação de bombeiros local. A moda pegou. O terço foi ali colocado para as tradicionais comemorações da Festa de Nossa Senhora da Penha. Quando acaba a festa — é a terceira maior celebração mariana (dedicada a Maria) do Brasil, com dois milhões de pessoas — é retirado o terço e, no ano seguinte, volta a ser colocado. Em 2013, foi iluminado com duas mil lâmpadas LED (que também serão utilizadas por Joana Vasconcelos) azuis e brancas.

Em 2017, a 15 de abril, o terço foi confecionado com bolas de esferovite recicladas, flores de papel, seis mil pérolas e arames, num total de mais de 12 mil peças. O médico Osmar Sales, atualmente com 61 anos, explicou à Globo que o criou o primeiro terço em 1998, numa tentativa de recriar um terço gigante da missa celebrada por João Paulo II, no Rio de Janeiro, em 1997. O terço está até meados de maio exposto.

    Se tiver uma história que queira partilhar ou informações que considere importantes sobre abusos sexuais na Igreja em Portugal, pode contactar o Observador de várias formas — com a certeza de que garantiremos o seu anonimato, se assim o pretender:

  1. Pode preencher este formulário;
  2. Pode enviar-nos um email para abusos@observador.pt ou, pessoalmente, para Sónia Simões (ssimoes@observador.pt) ou para João Francisco Gomes (jfgomes@observador.pt);
  3. Pode contactar-nos através do WhatsApp para o número 913 513 883;
  4. Ou pode ligar-nos pelo mesmo número: 913 513 883.

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: rpantunes@observador.pt
Política

O vídeo das nossas vidas

Helena Matos
904

Beija-mão presidencial ao Papa em Monte Real. Um primeiro-ministro a brincar às amas. O país olha para o lado. E indigna-se com o "Correio da Manhã". É a propaganda, senhores. É a propaganda.

Liberdades

O medo da liberdade /premium

Paulo Tunhas

O que esta nova esquerda busca não se reduz ao desenvolvimento de um Estado tutelar. É algo que visa a perfeita eliminação da sociedade como realidade distinta do Estado. Basta ouvir Catarina Martins.

25 de Abril

Princípio da União de Interesses

Vicente Ferreira da Silva

O nosso sistema de governo promove desigualdades entre os cidadãos, elimina a responsabilidade dos titulares de cargos públicos e limita as liberdades, os deveres e os direitos fundamentais.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)