Inteligência Artificial

O que falta num sofá para lhe chamar inteligente? O Ikea quer saber

O Ikea pode estar a apostar na integração de inteligência artificial na sua mobília. Já circula um inquérito aberto que pretende descobrir o que os consumidores esperam de um assistente virtual.

Quem sabe se no futuro o seu sofá não lhe vai perguntar que canal quer ver ou se quer apagar as luzes

ALASTAIR WIPER/SPACE10

O Ikea pondera apostar na integração de inteligência artificial na sua mobília, avança o site TNW. Já circula um inquérito que pretende averiguar, à escala global, a utilidade e o comportamento que os consumidores esperam de um assistente virtual. Quem sabe se no futuro o seu sofá não lhe vai perguntar que canal de televisão quer ver ou se quer apagar as luzes.

O estudo está a ser feito pelo SPACE10, um laboratório que se concentra em “estudar os estilos de vida urbanos” e em “encontrar soluções sustentáveis a uma escala global”. Aliados ao Ikea, os investigadores do SPACE10 estão a estudar a integração de inteligência artificial (ou de assistentes pessoais) na mobília produzida pelo gigante sueco.

“O que é que um revendedor de mobília sueco sabe sobre inteligência artificial e tecnologia conversacional? Pouco, mas sabemos que a inteligência artificial está a chegar e sabemos que há oportunidades excelentes nesta área para criar um melhor serviço para clientes em todo o mundo” escreve Göran Nilsson, o responsável do Ikea para conceitos de inovação.

O Ikea podia satisfazer as necessidades individuais dos consumidores, bem como ajudar cerca de 285 milhões de pessoas invisuais em todo o mundo através de interfaces e assistentes virtuais integrados na mobília. Estamos curiosos para saber o que os nossos consumidores pensam sobre inteligência artificial.”

O SPACE10 é um espaço de exposições que também realiza estudos sobre comportamentos urbanos (ALASTAIR WIPER/SPACE)

Não é a primeira vez que o Ikea aposta na mobília do futuro. Quando surgiram os primeiros smartphones com carregamento wireless, em 2015, a marca sueca chegou-se à frente com candeeiros e mesas de cabeceira que carregavam os aparelhos. Há poucos meses, estrearam-se no mercado das lâmpadas inteligentes com uma alternativa low cost à Phillips Hue – uma lâmpada cuja cor e intensidade pode ser facilmente controlada através do smartphone ou tablet. É provável que mais objetos ganhem vida e novas capacidades no futuro, especialmente se forem integrados com capacidade de resposta ou de assistência, ao estilo de uma Siri ou Cortana.

Já existem aparelhos como o Google Home ou Amazon Echo que respondem à vontade dos consumidores de tornar as casas mais interativas e eficientes, mas a intenção do SPACE10 é descartar os aparelhos e integrar a inteligência na própria mobília.

O inquérito está aberto a quem quiser responder e podemos já ter uma ideia do tipo de assistente que os consumidores preferem. 75% dos inquiridos gostariam de ter um assistente que soasse e se comportasse como um humano, e 43% dizem querer um assistente sem género sexual. A esmagadora maioria espera que um assistente pessoal seja capaz de detetar e reagir a emoções. Pode consultar os resultados com maior detalhe aqui.

Sem confirmar nada, tanto a marca de mobília como o SPACE10 garantem que o estudo está a ser feito “na desportiva” de forma a compreender as necessidades e vontades dos consumidores para conseguirem responder da melhor maneira às constantes mudanças dos nossos tempos. Mas não se assuste: a SPACE10 e o Ikea não procuram uma realidade em que a inteligência artificial domina a espécie humana. Quase metade dos inquiridos esperam um assistente obediente.

72% dos inquiridos esperam que um assistente virtual não tenha conhecimentos religiosos (ALASTAIR WIPER/SPACE10)

“Estamos atentos ao crescimento de uma cultura de vigilância constante e ao medo de que a inteligência artificial se torne uma ameaça para a humanidade. Ao mesmo tempo sabemos que [a inteligência artificial] oferece benefícios para a vida de muitas pessoas e que o seu crescimento é inevitável” explica Bas van de Poel, do SPACE 10, que garante que a resposta está no debate. “Como é que nos certificamos de que é uma coisa boa? Acreditamos no debate aberto, antes de nos apressarmos a fabricar – perguntando às pessoas como é que se sentem em relação a inteligência artificial e o que esperam dela.”

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