Pedro Sánchez, ex-líder e um dos candidatos à liderança do PSOE, não descarta apoiar uma moção de censura a Mariano Rajoy, mas não para já. Em entrevista ao El Mundo, Sánchez avisa os seus principais adversários nas primárias do partido — Patxi López (que foi presidente do País Basco) e Susana Díaz (presidente da Andaluzia) — que “líderes que ganharam eleições a nível regional, não significa que possam ser líderes vencedores a nível nacional.” As primárias dos socialistas espanhóis realizam-se a 21 de maio.

Questionado sobre se iria promover uma moção de censura se fosse eleito secretário-geral do PSOE, Sanchéz começou por dizer: “Não estamos nessa fase”. Sobre se a hipótese está fora dos seus planos, Sánchez admitiu que “em política nada pode ser descartado. As moções de censura devem ser construtivas e Rajoy tem hoje uma maioria suficiente para governar.” E acrescentou: “A pergunta deve ser Albert Rivera e ao Ciudadanos.”

Sánchez recusa também apoiar a moção de censura do Podemos, já que “há um ano [o Podemos achou que] não era preciso uma moção de censura”, numa altura em que “o nível de corrupção do PP [partido no Governo] era igual”. O candidato socialista acusou ainda o líder do Podemos de dar tiros de pólvora seca — com a proposta de censura a Rajoy neste momento — já que “dá a sensação que [Pablo] Iglesias só vota contra Rajoy quando não tem opção de derrotá-lo. Não se pode construir a casa pelo telhado. Nós propomos a demissão de Rajou pelos casos de corrupção-”

Na mesma entrevista, Sánchez promete colocar o “PSOE no seu devido lugar: à esquerda, ao lado dos seus eleitores e a lutar para ser a primeira força política”. O socialista — que teve um mau resultado nas duas eleições legislativas que disputou — desvaloriza os maus resultados, explicando que “o sistema político espanhol mudou” e que “o desafio do PSOE é evoluir” sob pena de se tornar irrelevante.

Para Sánchez, Hollande é a prova de que os partidos socialistas que abandonam a social-democracia acabam por ter um “descalabro eleitoral“. “Quem perdeu a eleição? Hollande ou Hamon? Para mim, foi Hollande. A lição a ser tirada é que o sistema político mudou em todos os países europeus. Portanto, se das primárias sair um exercício de nostalgia, estamos condenados a ser a terceira força política”, explicou o candidato à liderança do PSOE. Sanchéz acredita que o PSOE “está a tempo de evitar” um resultado como o do Partido Socialista Francês.