Primeira Liga NOS

Como vai funcionar a revolução do video-árbitro?

107

A Federação Portuguesa de Futebol decidiu avançar para o sistema de video-árbitro já na próxima época. Penáltis, expulsões e golos vão poder ser reavaliados com recurso a repetições.

"Queremos claramente que os árbitros errem cada vez menos", afirmou Fernando Gomes, presidente da FPF

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

O senhor árbitro tem dúvidas em assinalar penálti? Não se preocupe, o vídeo ajuda. Não viu aquela cotovelada discreta e já só reparou no jogador a rebolar no relvado? Não se preocupe, o vídeo ajuda — e sai um cartão vermelho convicto. Tem dúvidas se foi golo? Resolvido. Mais uma vez, o vídeo ajuda. A tão esperada revolução tecnológica vai chegar ao futebol português: na próxima época, todos os jogos da Primeira Liga vão ter recurso a vídeo-árbitro, como anunciou esta quinta-feira a Federação Portuguesa de Futebol (FPF). E o primeiro teste é já a final da Taça de Portugal, que vai colocar frente a frente Vitória de Guimarães e Benfica.

Mas como vai funcionar o vídeo-árbitro, oficialmente designados como Vídeo-Árbitros Assistentes (VAR)? Na prática, este recurso só vai ser utilizado em situações muito específicas, como a validação de golos, a marcação de grandes penalidades, a atribuição de cartões vermelhos e possíveis erros na identificação de jogadores castigados.

O recurso aos VAR pode ser decidido pelo árbitro, através do sistema de intercomunicações, ou podem ser estes assistentes a recomendar ao juiz que reveja uma decisão tomada no decurso do jogo. Passo seguinte: os vídeo-árbitros, devidamente instalados numa sala de operações, revêm o lance e informam o árbitro da decisão correta. O homem do apito pode depois decidir rever ele próprio a jogada junto à linha lateral ou simplesmente aceitar a recomendação dos auxiliares. E segue o jogo.

Os casos de fora de jogo não vão ser analisados pelo vídeo-árbitro, a não ser que resultem em golo. Em contrapartida, este sistema pode funcionar como incentivo aos bandeirinhas para que deixem prosseguir as jogadas que suscitem dúvidas — em caso de golo irregular, a decisão será revertida.

Nesta época, nove jogos da I Liga já foram arbitrados com auxílio do vídeo-árbitro, mas ainda em modo de teste offline, como explicava aqui o Observador. Nestes testes, o árbitro adicional, responsável pelo controlo das gravações, ficava junto à equipa técnica numa carrinha, no exterior do estádio.

A introdução do vídeo-árbitro era há muito defendida pelos principais responsáveis pelo futebol em Portugal. Foi isso que vieram a terreiro defender Fernando Gomes, presidente da FPF, Pedro Proença, presidente da Liga de Futebol, e Vítor Pereira, presidente do Conselho de Arbitragem.

“Queremos claramente que os árbitros errem cada vez menos e esta ferramenta, estamos convencidos, será muito importante para diminuir a margem de erro”, afirmou esta quinta-feira Fernando Gomes, esclarecendo que os custos, elevados, serão assumidos pela FPF.

O passo decisivo foi dado a 5 de março de 2016, no 130º Encontro Anual realizado em Cardiff, quando o International Board decidiu dar finalmente luz verde à introdução deste recurso. Portugal foi um dos primeiros seis países a avançar para os testes, a par de Austrália, Brasil, Estados Unidos, Alemanha e Holanda. Os australianos foram os primeiros a adotar o sistema, e espera-se que, além de Portugal, se juntem à revolução tecnológica Holanda e Alemanha. De resto, os árbitros portugueses já foram experimentando o sistema na Cidade do Futebol, em Oeiras.

No final de abril, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, confirmou que a tecnologia do vídeo-árbitro será utilizada no Campeonato do Mundo de futebol de 2018, na Rússia.

E é infalível? Não. Na primeira vez que foi oficialmente testado, no Mundial de Clubes de 2016, as equipas de arbitragem deram alguns tiros no pé, como recordava aqui o Observador. Na final do torneio, entre o Real Madrid e o Kashima Antlers, defesa blanco Sergio Ramos deveria ter sido expulso por acumulação de amarelos mas acabou por ficar em campo por falha de comunicação.

Antes, na meia-final entre os japoneses e o Atlético Nacional, o árbitro interrompeu a partida para assinalar uma grande penalidade num lance onde o jogador que sofreu a falta estava fora de jogo.

E a revolução no futebol pode não ficar por aqui. A FIFA está a estudar um conjunto de propostas pensadas pelo ex-internacional holandês Van Basten – que é agora diretor técnico da FIFA — que podem mudar a face do futebol. Em causa estão alterações como o fim do fora de jogo, a adoção de penalizações de cinco ou dez minutos em substituição dos cartões amarelos, a interrupção do relógio sempre que a bola não estiver em jogo nos últimos dez minutos da partida, a introdução de duas substituições nos prolongamentos, a substituição dos desempates por penáltis pelo ‘shoot out’ (cinco tentativas em que o jogador faz 25 metros até à baliza e remata à baliza, podendo driblar, chutar, enganar o guarda-redes, etc.), e a limitção do número de faltas, por exemplo. Propostas que estão ainda em análise muito inicial.

    Se tiver uma história que queira partilhar ou informações que considere importantes sobre abusos sexuais na Igreja em Portugal, pode contactar o Observador de várias formas — com a certeza de que garantiremos o seu anonimato, se assim o pretender:

  1. Pode preencher este formulário;
  2. Pode enviar-nos um email para abusos@observador.pt ou, pessoalmente, para Sónia Simões (ssimoes@observador.pt) ou para João Francisco Gomes (jfgomes@observador.pt);
  3. Pode contactar-nos através do WhatsApp para o número 913 513 883;
  4. Ou pode ligar-nos pelo mesmo número: 913 513 883.

Agora que entramos em 2019...

...é bom ter presente o importante que este ano pode ser. E quando vivemos tempos novos e confusos sentimos mais a importância de uma informação que marca a diferença – uma diferença que o Observador tem vindo a fazer há quase cinco anos. Maio de 2014 foi ainda ontem, mas já parece imenso tempo, como todos os dias nos fazem sentir todos os que já são parte da nossa imensa comunidade de leitores. Não fazemos jornalismo para sermos apenas mais um órgão de informação. Não valeria a pena. Fazemos para informar com sentido crítico, relatar mas também explicar, ser útil mas também ser incómodo, ser os primeiros a noticiar mas sobretudo ser os mais exigentes a escrutinar todos os poderes, sem excepção e sem medo. Este jornalismo só é sustentável se contarmos com o apoio dos nossos leitores, pois tem um preço, que é também o preço da liberdade – a sua liberdade de se informar de forma plural e de poder pensar pela sua cabeça.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Venezuela

Um objeto imóvel encontra uma força imparável

António Pinto de Mesquita

Num dos restaurantes mais trendy de Madrid ouve-se o ranger de um Ferrari que para à porta. Dele sai um rapaz novo, vestido com a última moda. Pergunta-se quem é. “É filho de um general venezuelano”.

Enfermeiros

Elogio da Enfermagem

Luís Coelho
323

Muitos pensam que um enfermeiro não passa de um "pseudo-médico" frustrado. Tomara que as "frustrações" fossem assim, deste modo de dar o corpo ao manifesto para que o corpo do "outro" possa prevalecer

Poupança

O capital liberta

André Abrantes Amaral

É do ataque constante ao capital que advêm as empresas descapitalizadas, as famílias endividadas e um Estado sujeito a três resgates internacionais.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)