A polémica “Canelas” já chegou ao New York Times. “A equipa de futebol com que ninguém quer jogar” , foi o título escolhido para a reportagem que o prestigiado jornal norte-americano fez sobre a equipa portuguesa que tem sido notícia pelas piores razões. O jornal aborda todas as polémicas com que a equipa se tem deparado nos últimos anos.

O artigo começa com a referência ao nível de intimidação do Canelas 2010 ter chegado ao ponto de somarem vitórias pela falta de comparência das equipas adversárias. A publicação refere mesmo que essas equipas eram informadas de que o Canelas 2010 era “muito violento no campo” e que quase uma liga inteira receava jogar com eles preferindo pagar 750€ de multa por cada falta de comparência a ter de os defrontar.

A reportagem reúne testemunhos do capitão e presidente da equipa, que é também líder da claque Super Dragões. Fernando Madureira acha toda a situação à volta do clube injusta.

Nós não somos uma equipa violenta. Jogamos o mesmo que todos os outros: não queremos perder, nós corremos, lutamos pela bola e damos tudo no campo”, refere.

Madureira admite ainda assim que o clube é o único do campeonato que não tem árbitros locais. “Eles disseram que os árbitros locais estavam com medo de nós, então agora vêm das ligas nacionais”. Quem diz árbitros também diz polícia, ou não fossem os jogos do Canelas acompanhados por uma equipa especial da polícia – como que uma equipa SWAT, diz o NYT.

O que são as SWAT?

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O acrónimo para Special Weapons And Tactics (Armas e Táticas Especiais) é o nome que se refere a uma unidade policial especializada e altamente treinada, destacados para eventuais situações de emergência. Fazem-se acompanhar de armamento.

Tais factos são, na opinião de Madureira, “injustificados”. E os Super Dragões também não são uns ‘monstros’.

Nos Super Dragões há pessoas boas e pessoas más. Temos traficantes de drogas, assassinos, mas também temos boas pessoas. Tudo o que temos na sociedade, temos nos Super Dragões. “

Outra visão tem Manuel Gomes, presidente da Associação Desportiva de Grijó – uma das equipas que se recusou a defrontar o Canelas 2010. Ele denuncia a cobardia que existe em relatar o que realmente acontece nos jogos.

Há coerção, intimidação e os árbitros não têm coragem de escrever relatórios que dizem o que realmente aconteceu. Estes problemas têm-se arrastado durante anos e são problemas sérios”, conta.

As queixas somam-se e o artigo revela as denúncias anónimas sobre ameaças que os jogadores dirigiam aos adversários e até aos árbitros. Alegadamente, chegavam avisos de que os membros “sabiam onde viviam as [suas] famílias”. A publicação admite que essas ameaças numa situação normal seriam ignoradas, mas não tratando-se do Canelas.

A publicação recupera um vídeo amador, publicado no Youtube, onde são visíveis várias agressões do Canelas 2010 durante uma partida de futebol contra o Vila Futebol Clube. Fernando Madureira desvaloriza a importância desses mesmos episódios. “Os vídeos no YouTube são de há dois anos. É de um jogo. Eles repetem tudo”, acusa o capitão.

Para Madureira, já não se verificam situações de medo por parte das equipas. Acrescenta ainda que nas últimas partidas o clube tem estado muito mais disciplinado. “Não temos muitos cartões. Uma mão cheia de amarelos. Apenas um vermelho.” A exeção, essa, vai mesmo para Marcos Canelas e a sua mais recente polémica de agressão ao árbitro durante o jogo contra o Rio Tinto.