Numa altura em que os motores diesel tendem a ser apontados como a origem de todos os males, mercê de sucessivas campanhas destacando os seus possíveis malefícios, nomeadamente ambientais, a Jaguar Land Rover (JLR) vem a público assumir a defesa desta solução. Recordando, por exemplo, os seus benefícios, os quais planeia realçar em acções de sensibilização a realizar junto dos utilizadores.

Actualmente com mais de 90% dos carros por si fabricados e comercializados no Reino Unido equipados com motores a gasóleo, o fabricante pretende, desta forma, segundo avança o Auto Express, tranquilizar os seus clientes. Especialmente, depois de o Governo britânico ter apresentado publicamente a sua nova estratégia para a defesa da qualidade do ar, da qual faz parte, entre outras medidas, uma política de abate dos veículos a gasóleo e restrições na utilização de automóveis diesel mais antigos, nos centros das grandes cidades.

De resto, numa altura em que alguns especialistas alertam para a ligação entre as partículas expelidas para o ambiente pelos motores diesel e os seus perigos para a saúde, falando mesmo em 40 mil mortes prematuras por ano, no Reino Unido, a JLR responde avisando que notícias como estas assustam o grande público. Levando mesmo a que clientes, tanto da Jaguar como da Land Rover, contactem o fabricante, preocupados com a possibilidade de os seus automóveis poderem vir a ser banidos.

Associação recorda evolução nos sistemas anti-poluição

Em resposta às preocupações de muitos condutores, a Associação de Construtores e Comerciantes Automóveis do Reino Unido veio já recordar que os novos regulamentos que dão corpo ao chamado Euro 6, e que todos os veículos a gasóleo têm de respeitar, vieram limitar ainda mais os valores relativos às emissões. Levando mesmo a que os automóveis produzidos hoje em dia emitam menos 56% de óxido de nitrogénio – este sim, um gás verdadeiramente perigoso para a saúde – que os veículos mais antigos e fabricados ao abrigo do anterior sistema de controlo de emissões Euro 5.

Jeremy Hicks

Em declarações ao jornal britânico “The Telegraph”, o director-geral da JLR no Reino Unido, Jeremy Hicks, alerta para o facto de, actualmente, os consumidores se sentirem “confusos e intimidados”. E explica qual a postura adoptada pela JLR:

Temos tentado explicar-lhes que o diesel continua a produzir menos CO2, ainda que a opção deva ser feita em função das necessidades e dependendo da forma e local onde habitualmente se circule”.

“Nós, na indústria automóvel, aceitamos que somos uma parte do problema da poluição. Mas a verdade é que também somos uma importante parte da solução, ao procurarmos acompanhar os novos limites que vão sendo impostos e apostando na electrificação do automóvel”, acrescenta o mesmo responsável. “No entanto, o automóvel apenas é responsável por um quinto da poluição do planeta. Sendo que ninguém fala, por exemplo, dos veículos pesados de mercadorias ou de outros tipos de transporte”, aponta Hicks.