A conclusão parece ser a mesma em todos os jornais que chegam esta segunda-feira às bancas: França rejeitou a extrema direita. Emmanuel Macron convenceu os franceses e tornou-se no novo presidente de França, com mais de 65% dos votos a seu favor. No seio de umas eleições com abstenção histórica para França, Macron é agora o mais novo presidente francês de sempre e um dos mais novos do mundo. O seu rosto domina os jornais europeus.

Na fotogaleria pode ver as capas dos jornais que colocam Emmanuel Macron como protagonista da atualidade. Esta fotogaleria vai permanecer em atualização: esteja atento para ver aqui como o novo presidente de França chegou às capas dos jornais de esta segunda-feira, horas depois das eleições.

Como a imprensa francesa acordou para a vitória de Macron

O Libération publica uma capa dupla com um retrato a grande escala de Macron na frente e outro de Marine Le Pen no verso, escrevendo apenas “Bem Jogado” para a imagem do novo presidente e “Bem Feita” para a imagem da líder da extrema-direita fotografada de costas.

Em editorial, o Libération alerta, em título, “Uma dívida para com o povo”: “Dos 65% de eleitores que o escolheram, mais de dois terços teriam preferido votar por outro. Estes eleitores deram-lhe um empréstimo. Algo que Jacques Chirac, no seu tempo, não honrou, rejeitando reunir para além dos seus apoiantes.”

Ainda em editorial, o jornal considera que “A França acaba de mostrar aos xenófobos que não os quer, mesmo que estes continuem ameaçadores e ativos”, destaca que o país, “que se diz envelhecido, nostálgico, calafetado, amargo, acaba de levar ao poder um homem de 39 anos sem passado político, apaixonado pela Europa” e publica quatro páginas a relatar a “ascensão relâmpago” de Emmanuel Macron.

“É preciso ir até Bonaparte para encontrar um chefe de Estado mais jovem. Um presidente que se lançou há menos de dois anos? Esta marcha é um sprint e o carro Macron um Fórmula 1”, continua o jornal, concluindo que “o desafio principal do novo presidente é colmatar a lacuna que separa a França feliz da França irada, a França de cima da França que ficou para trás”.

O “Libé” explica que não cobriu a noite eleitoral do partido da extrema-direita porque “não é a primeira vez que a FN proíbe o acesso de jornalistas a comícios, em geral um ou dois”, informando que, desta vez, “uma dezena de jornais foram impedidos de fazer o seu trabalho” sob o pretexto de “falta de espaço”.

O Le Figaro escolheu para a primeira página o título “A vitória em marcha”, com uma imagem de Emmanuel Macron de braços levantados perante várias bandeiras francesas, destacando que “aos 39 anos ele torna-se o presidente mais jovem da história da V República”.

O jornal alerta que “o novo chefe de Estado deve agora procurar uma maioria nas legislativas de junho”, algo que uma sondagem não dá como “seguro”.

No editorial de capa, o Le Figaro alerta que “em aparência, o triunfo é completo” porque Emmanuel Macron “pode esperar – com 39 anos e na sequência de Kennedy, Giscard, Renzi, Trudeau – inscrever o seu nome no panteão dos reformadores cuja juventude, otimismo e ousadia triunfaram”.

“Atenção! Se olharmos um pouco mais de perto, as perspetivas que se abrem ao novo presidente poderão ser um pouco mais complicadas. Macron triunfa, mas a sua eleição de marechal e as condições extraordinárias da sua vitória não podem fazer esquecer as hipotecas políticas que pesam sobre ele”, considera o jornal, precisando que ele é “o eleito que resulta da rejeição (da rejeição de Fillon, de Hamon, de Mélenchon, de Le Pen)”.

Ainda no editorial, o jornal avisa que “a França de Macron, uma França positiva, dinâmica, reformadora e aberta à Europa”, representa “apenas um quarto dos franceses” e “dois outros quartos são radicalmente hostis aos valores que ela incarna”.

O Le Figaro publica, ainda, um retrato de Emmanuel Macron, “o homem apressado”, relata a noite eleitoral da FN em Paris – considerando que Marine Le Pen “não ganhou a sua aposta” – e publica uma sondagem sobre as legislativas na qual atribui 24% na primeira volta ao movimento centrista de Macron, 22% aos Republicanos, 21% à FN e 15% à França Insubmissa.

O diário destaca, também, um artigo intitulado “Brigitte Macron, o pilar e a confidente”, publicando uma reportagem que informa que “Macron herda uma França num estado lamentável” com dívida e desemprego e elencando os principais desafios do novo presidente em várias áreas, nomeadamente na parte internacional para “um noviço em diplomacia”.

O Le Parisien escolheu para capa uma imagem de Emmanuel Macron sorridente e de braços levantados sob o título “39 anos e presidente!”, apresentando “um dossiê para descobrir as mulheres e os homens com os quais vai governar” e “as cinco prioridades do novo presidente para reformar a França”.

“Se, visto lá de fora, a vitória do candidato de Em Marcha! vai rejuvenescer o nosso país, aqui as primeiras ações são analisadas de perto. A escolha do seu primeiro-ministro e a sua capacidade em construir uma maioria vão ser determinantes. O nosso presidente trintão sabe que milhões de eleitores manifestaram o seu descontentamento ao escolher a FN, o voto branco ou a abstenção”, lê-se no editorial.

Ainda nas capas dos diários franceses, o La Voix du Nord escolhe para título “Um destino francês”, o La Dépêche du Midi titula “A França em marcha”, o Midi Libre escreve “a façanha Macron” e o La Provence escolhe “Ele conseguiu!”.