Rui Moreira negou esta segunda-feira que tivesse sido ele a romper o acordo com o PS. No dia em que os vereadores socialistas na Câmara Municipal do Porto renunciaram aos respetivos pelouros, o autarca portuense reiterou a lealdade de sempre de Manuel Pizarro, vereador socialista e homem de confiança de Moreira, e culpabilizou a direção nacional socialista por tudo o que se passou. “Provavelmente, achavam que o Porto podia ser domesticado. O Porto não é assim“, afirmou o presidente da Câmara do Porto.

Em entrevista à TSF, Rui Moreira explicou que, ao contrário do que foi sendo escrito, não foi o movimento independente a abdicar do apoio do PS. O que ficou provado neste processo, continuou o autarca, foi que, afinal, o “PS não queria apoiar uma candidatura independente“, mas sim “condicionar” a composição do próximo executivo camarário.

Não renunciei ao apoio de ninguém. Não venham dizer que fomos nós que rompemos. Não venham reescrever a história. Quem rompeu foi o PS”, afirmou Rui Moreira.

O autarca portuense referia-se às declarações de Ana Catarina Mendes, secretária-geral adjunta do PS, em entrevista ao Observador. Nessa entrevista, a socialista reiterou algo que já tinha dito ao Expresso — que o PS esperava uma “representação forte” nas listas — e que isso seria definido “dentro daquele que é o quadro de uma candidatura e de uma negociação que terá que haver com o PS“.

A reincidência de Ana Catarina Mendes fez com que Rui Moreira perdesse a paciência. “Nunca foi essa a discussão que foi levantada”, afirmou o autarca, garantido que nem a concelhia socialista do Porto, nem Manuel Pizarro tinham discutido qualquer negociação.

https://observador.pt/videos/atualidade/os-cinco-minuto-da-entrevista-a-ana-catarina-mendes-que-cairam-mal-a-rui-moreira/

Nesta mesma entrevista à TSF, Rui Moreira não escondeu o desagrado com a direção nacional do PS por nunca ter desmentido categoricamente as declarações do eurodeputado socialista Manuel dos Santos, que veio a terreiro garantir que o autarca portuense tinha um acordo com António Costa para, a seu tempo, deixar o cargo de presidente da Câmara Municipal do Porto e aceitar o lugar de eurodeputado nas listas do PS ou um gabinete ministerial num futuro Executivo socialista.

“Estas declarações não foram nunca desmentidas pelo secretariado nacional. Foi um ataque terrível ao primeiro-ministro, a mim e ao PS. Ferem o normal funcionamento das instituições democráticas“, afirmou o autarca.

Além disso, continuou Rui Moreira, houve outra declaração de Ana Catarina Mendes ao Observador que provocou profundo mal-estar no núcleo duro de Rui Moreira: “O PS vai a seu tempo poder voltar a gerir a cidade do Porto“, disse a socialista. Nunca o deveria ter feito, sustentou o autarca.

O presidente da Câmara Municipal do Porto admitiu ainda que a hipótese de Manuel Pizarro avançar como um eventual número dois estava em “aberto”, desculpabilizou António Costa pela gestão desastrosa deste processo, sugeriu que Manuel Pizarro era “provavelmente” o alvo inicial de um ataque que nasceu a partir da sede nacional do PS e culpou o secretariado-nacional socialista pela cisão no Porto: houve dirigentes do PS que vieram “lançar achas para uma fogueira que está arder algures para o Largo do Rato”, concluiu Rui Moreira. “Nós não temos que apagar os incêndios do Largo do Rato“.

Rui Moreira disse, ainda, “compreender perfeitamente” a decisão dos vereadores socialistas de renunciarem aos pelouros e garantiu que vai manter o respeito por Manuel Pizarro. “Não me ouvirão dizer que Manuel Pizarro foi um mau vereador, que não foi leal ou que não é meu amigo”. A terminar, o autarca recusou comentar eventuais coligações pós-eleitorais com o PS, deixando essa possibilidade em aberto.