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Herman José: Baptista-Bastos era "um cultor de amizades mesmo que em campos política e socialmente opostos"

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Conheceram-se no ano da revolução de abril. Herman José parodiou-o e entrevistou-o. Agora, recorda Baptista-Bastos ao Observador como "um cultor de amizades".

Herman como Artista Bastos
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Herman José parodiou o programa do jornalista e escritor português, Baptista-Bastos, emitido entre novembro de 1996 e janeiro de 1998. No dia da sua morte, o humorista recordou-o em entrevista ao Observador.

Era uma mistura deliciosa entre epicurismo, amor pela cultura popular e incessante curiosidade intelectual. Era também um cultor de amizades, mesmo que em campos política e socialmente opostos”, disse Herman José.

Conheceram-se “superficialmente” em maio de 1974 no programa “No Tempo Em Que Você Nasceu” de Artur Agostinho, na RTP 1, na estreia de Herman no grupo “In Clave” com direção musical do Pedro Osório. Baptista Bastos foi o último convidado antes do “fecho compulsivo do programa e consequente prisão do Artur Agostinho”. Mas foi no camarim de Raul Solnado que ambos contactaram.

Quando fez a caricatura de Baptista-Bastos, Herman admite que teve “alguma facilidade em lhe imitar a voz gutural”, acrescentando que o ajudou muito a compor a figura. Decidiu caricaturá-lo porque o programa de Baptista Bastos era “muito conspícuo”. Herman revela que o jornalista reagia “efusivamente e com incontida alegria” aos seus sketches.

Ouvi-o falar do dia em que se ouviu na televisão, descobrindo posteriormente que se tratava da minha voz, era de chorar a rir”, relembra Herman José ao Observador.

Foi com Baptista-Bastos que surgiu a pergunta recorrente nos seus programas “Onde é que estavas no 25 de Abril?”, que permaneceu popular até hoje. Herman reproduziu-a em “contextos divertidos”. “Lembro-me que em 1997, a data de 25 de Abril tinha sido ‘só’ há 23 anos, o que a tornava num tema recorrente de conversa”, conta Herman.

Herman José entrevistou Baptista-Bastos várias vezes e relembra que o jornalista era “coerente, diplomata, truculento quanto baste”. “Gostava da contestação, abominava a arruaça. Tinha alma de democrata puro”, acrescentou ainda.

Aos 83 anos, Armando Baptista-Bastos, jornalista e escritor português, morreu esta terça-feira em Lisboa depois de várias semanas internado no hospital de Santa Maria.

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