O presidente do BCP considerou esta quarta-feira que a entrada da Fosun no capital do banco reforça a estabilidade acionista, antecipando ainda que as sinergias com o grupo chinês vão abrir novos negócios e mercados.

“O BCP ganha porque os administradores [LinJiang Xu e João Nuno Palma, aprovados esta quarta-feira em reunião magna] não só têm qualidade por si, mas também porque representam o novo acionista que é a Fosun. E a Fosun dá-nos, de facto, uma estabilidade e uma confiança diferente”, disse à Lusa Nuno Amado no final dos trabalhos da Assembleia Geral (AG) anual do banco.

E dá-nos um alargamento da nossa base de trabalho – chamemos-lhe assim – para áreas e para negócios que até agora não cobríamos. Pensamos que, a prazo, não é uma coisa imediata, mas, a prazo, vamos conseguir aproveitar essa presença e esse contributo”, assinalou.

Questionado sobre as sinergias possíveis com a Fosun que, com 25% é o maior acionista do BCP, Nuno Amado apontou para um vasto leque de oportunidades. “Nos mercados onde nós estamos e onde eles estão, nos diversos segmentos e nas diversas áreas. Temos possibilidades em negócios e em mercados”, vincou o gestor.

E reforçou: “Por exemplo, o mercado da Ásia, nós não cobrimos, mas podemos cobrir. E há, obviamente, no estrangeiro, onde nós estamos, especialmente, em áreas de negócio que eles conhecem melhor do que nós – porque não estamos nessas áreas – e seguramente vai haver sinergias e interesses comuns”.

Sobre os trabalhos da AG de quarta-feira, Nuno Amado considerou que foram “muito positivos”, destacando a “elevadíssima aprovação dos diversos pontos, não só em percentagem de votos mas também em número de acionistas presentes”. O gestor assinalou que estiveram “mais de 500 acionistas representados e mais de 100 acionistas presentes, pelo que foi uma elevadíssima taxa de participação, o que é positivo para o banco e também para o trabalho que está a ser feito”.

Nuno Amado sublinhou que “houve muita participação dos acionistas, mas correu muito bem” o encontro de acionistas que decorreu no Tagus Park, deixando ainda algumas palavras sobre o futuro do banco.

“Não foi um ano fácil, 2016 foi para o BCP um ano difícil, complexo, exigente e, dentro desse enquadramento, acho que a reunião correu muito bem. Espero que 2017 seja um ano algo melhor, bastante melhor, do que em 2016, de modo a que em 2018 possamos atingir plenamente a normalidade, que é também quando terminam completamente as restrições que temos face à Direção Geral da Concorrência [da Comissão Europeia]”, afirmou.

Quanto à intenção de voltar a distribuir dividendos aos acionistas a partir de 2018, Nuno Amado jogou à defesa. “Os dividendos só depois de ganharmos suficientemente dinheiro, termos rentabilidade adequada, para podermos pensar nisso. Primeiro, temos que ter a rentabilidade e é nisso que estamos a trabalhar”, rematou.