James Comey enviou esta quarta-feira uma carta de despedida a um grupo restrito de amigos, agentes e colaboradores do seu staff depois de ter sido demitido do cargo de diretor do FBI pelo presidente dos EUA.

No documento, a que a CNN teve acesso, o até ontem líder da agência de investigação norte-americana não se alonga em comentários ou avaliações sobre a decisão de Donald Trump, até porque não quer “perder tempo sobre a decisão ou a forma como foi executada”. Mas recorde que “um Presidente pode despedir um diretor do FBI por qualquer razão ou por absolutamente nenhuma razão”.

Comey não deixa de lamentar a sua saída de “um grupo de pessoas comprometidas a fazer as coisas certas”, escreveu. E reforça a importância que o FBI tem no país. “Já vos disse isto antes que, em tempos de turbulência, os americanos devem encarar o FBI como uma rocha de competência, honestidade e independência”, declarou James Comey.

O que escreveu o ex-diretor do FBI na carta:

A todos:

Sempre acreditei que um Presidente pode despedir um diretor do FBI por qualquer razão ou por absolutamente nenhuma razão. Não vou perder tempo sobre a decisão ou a forma como foi executada. Espero que vocês também não. Está feita, e eu estou bem, embora vá sentir profundamente a vossa falta e da missão.

Já vos disse antes que, em tempos de turbulência, os americanos devem encarar o FBI como uma rocha de competência, honestidade e independência. O que torna difícil deixar o FBI é a natureza e a qualidade das suas pessoas, que em conjunto representam essa rocha para a América.

É muito duro deixar um grupo de pessoas que estão comprometidas unicamente em fazer a coisa certa. A minha esperança é que continuem a viver de acordo com os nossos valores e na missão de proteger a América e defender a Constituição.

Se fizerem isso, também vocês ficarão tristes quando saírem, e os americanos estarão mais seguros.

Trabalhar convosco foi uma das maiores alegrias da minha vida. Obrigado por essa dádiva.

Jim Comey

A carta original divulgada pela CNN pode ser lida aqui:

A demissão de Comey na última terça-feira surgia numa altura em que o FBI admitia publicamente investigar os alegados contactos mantidos entre a campanha de Trump e o Kremlin durante as presidenciais norte-americanas. A propósito da investigação, o diretor do FBI chegou a assumir quarta-feira no Senado: “Nós seguimos as provas onde quer que elas nos levem”.

O porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, em comunicado, apenas referiu que “o presidente aceitou a recomendação do procurador-geral [Jeff Sessions] sobre a demissão do diretor do FBI”. Spicer não adiantou, contudo, as causas do despedimento de Comey.