No Reino Unido o ataque afetou não as telecomunicações do país, mas o sistema informático do serviço nacional de saúde britânico (NHS). Vários hospitais já pediram aos seus pacientes que evitem dirigir-se às urgências a menos que o caso seja “inadiável”.

O NHS disse, em comunicado, que a investigação está a decorrer, que o ataque não foi especificamente dirigido ao serviço nacional de saúde britânico mas sim a vários setores com o intuito de pedir “resgate” pela informação bloqueada.

Tal como em Portugal e em Espanha, o ataque terá acontecido por volta da hora de almoço. Segundo o diário The Guardian, os sistemas informáticos do NHS foram atingidos “em simultâneo”, quando uma mensagem exigindo um resgate pela libertação da informação “apareceu” em todos os ecrãs dos computadores afetados. Os vários hospitais afetados foram informando os seus pacientes através das redes sociais e dos meios de comunicação local. Tom Donnelly, porta-voz das operações digitais do NHS disse ao New York Times que há 16 instituições afetadas “incluindo hospitais e clínicas”. Segundo Donnelly “não existem ainda provas de que alguma informação confidencial tenha sido roubada”.

“Por volta das 12h30 começamos a ter problemas com o email, ao qual deixamos de conseguir aceder. Depois disto, todos os sistemas começaram a ir abaixo, e ficámos sem acessos aos ficheiros dos pacientes”, lê-se numa mensagem de texto enviada a um jornalista do GuardianHS por um funcionário do NHS. Segundo a mesma fonte, a mensagem que apareceu nos computadores pedia 300 dólares para que os utilizadores pudessem voltar a entrar nos seus computadores.

https://twitter.com/DominicMarley/status/863036798301286400

Um dos médicos do serviço de urgência do hospital de Liverpool, John Caldwell, disse que o acesso à informação sobre cada paciente estava “completamente bloqueada” e que este ataque se estava a revelar “muito limitador” da atividade no hospital, na medida em que “é impossível aceder a resultados de exames anteriores, informação clínica, receitas e tudo o resto”.

Espanha também foi alvo de ataques informáticos esta sexta-feira. Tal como em Portugal, o setor das telecomunicações é o mais afetado. Todos os trabalhadores da Telefónica, a maior empresa de telecomunicações de Espanha, ficaram impossibilitados de trabalhar mais ou menos a partir da hora de almoço, quando os computadores começaram a desligar em cadeia, deixando o ecrã completamente azul e inviabilizando qualquer tentativa de aceder à informação contida nos discos, nomeadamente para a tentar resgatar.

Segundo informa a agência Reuters, o objetivo do ataque terá sido mesmo esse: o de pedir um resgate pela informação “roubada”, ou que, neste momento, está na posse dos hackers. Segundo o diretor de informática da Telefónica, Jose Maria Alonso, a empresa sofre ataques “com regularidade”, afirmando que o desta sexta-feira “não foi assim tão grande”.

Segundo o El Diário, que cita fontes da Telefónica, “o corte não afeta clientes da Telefónica” e “apenas uma pequena parte dos computadores da sede” foram afetados. Por outro lado, os trabalhadores contactados pelo mesmo jornal, dão conta de um cenário diferente: “Todo o edifício foi afetado, e na sede trabalham cerca de 1500 pessoas”, disse um dos funcionários.

O aviso, no entanto, espalhou-se para outras grandes empresas como a Movistar, Iberdrola e Vodafone, que também pediram aos seus funcionários para desligarem os seus computadores.

A Gás Natural espanhola terá sido outra das empresas afetadas, que também optou por suspender as operações. “Desligamos os computadores preventivamente, mas ainda não sabemos se houve algum dano, o essencial das nossas operações está a funcionar normalmente”, disse fonte da Gás Natural ao El Diário. Também no grupo Prisa se optou por prevenir em vez de remediar. A empresa pediu seus funcionários que desliguem os seus terminais no fim do dia de trabalho e que não abram qualquer ficheiro que chegue através de emails desconhecidos ou através de perfis em redes sociais.

O governo espanhol confirmou, através de um comunicado, estar a trabalhar com as empresas envolvidas a fim de resolver o problema o mais rápido possível. Ao Observador, Pedro Garcia- Villacañas da Kaspersky Lab, que desenvolve anti-vírus com sede em Espanha, garantiu que a empresa “já está a trabalhar com as empresas afetadas para tentar perceber a origem do problema e o impacto potencial causado”.

Entretanto, também os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde avançaram, no seu site, que “até ao momento, não há relato de quaisquer incidentes de segurança neste contexto, que sejam do conhecimento da SPMS”.