O Leão de Ouro da Bienal de Arte de Veneza, para melhor participação nacional, foi hoje atribuído à Alemanha, através da artista Anne Imhof, enquanto o Brasil, com a instalação de Cinthia Marcelle, recebeu uma menção honrosa, anunciou a organização.

A 57.ª edição da Exposição Internacional de Arte – Bienal de Veneza, na qual Portugal é representado pelo projeto “Memória incerta”, do escultor José Pedro Croft, abriu este sábado ao público, tendo sido divulgados os prémios do certame.

O júri decidiu atribuir o Leão de Ouro de melhor artista ao alemão Franz Erhard Walther, 77 anos, tendo entregue duas menções honrosas ao norte-americano Charles Atlas, 68 anos, artista com base em Nova Iorque, e ao kosovar Petrit Halilaj, 31 anos, que vive e trabalha entre Bozzolo, Berlim e Pristina.

O Leão de Prata para a melhor promessa artística foi para o egípcio Hassan Khan, 42 anos, artista de origem britânica, nascido no Reino Unido.

O Leão de Ouro de carreira foi entregue à artista norte-americana Carolee Schneemann, 78 anos, segundo a escolha do júri, presidido pelo espanhol Manuel J. Borja-Villel.

A representação alemã na Bienal de Arte de Veneza traduz-se na instalação “Faust”, da artista residente em Frankfurt Anne Imhof, 39 anos, que também evoca o romance homónimo de Goethe, define-se como uma coreografia de cinco horas, sobre ‘black metal’, para um cenário de sete meses (a bienal encerra em novembro), combinando ‘performance’, pintura e escultura.

A justificação do júri para a entrega do Leão de Ouro à conceção de Anne Imhof, comissariada pelo Instituto para as Relações Exteriores da Alemanha (Institut für Auslandsbeziehungen), reside na “poderosa e perturbadora instalação que coloca questões urgentes sobre o nosso tempo”, levando o espetador a um “estado de ansiedade”, além de ser um trabalho caracterizado por “decisões precisas acerca de objetos, imagens, corpos e sons”.

Quanto à menção honrosa para o Brasil, a instalação “Chão de caça”, da artista mineira Cinthia Marcelle, de 42 anos, o júri refere que “produz um espaço enigmático e desequilibrado”, no qual não é possível alguém sentir-se seguro e, tanto a estrutura da instalação como o vídeo (em parceria com o realizador Tiago Mata Machado), “evocam as preocupações da sociedade contemporânea brasileira”.

A obra da artista brasileira, comissariada pela Fundação Bienal de São Paulo, compõe-se de um piso inclinado, com grades de ventilação, em que pedras ficam presas, contornando suportes de madeira que sustentam pinturas a preto e branco, em tecido de algodão. A obra completa-se com o vídeo da ‘desconstrução’ de um telhado, por homens vestidos com uniformes de cores garridas, que criam um buraco pelo qual passam.

A representação oficial portuguesa no certame, materializada através do projeto “Medida Incerta”, instalado na Villa Hériot, na Ilha de Giudecca, compreende seis esculturas em ferro, vidro e espelho, que evocam a obra do arquiteto Álvaro Siza Vieira, em Veneza.

Siza Vieira foi o representante português na Bienal de Arquitetura de Veneza, realizada no ano passado, exatamente com base no projeto de habitação, concebido na década de 1980, para a Ilha de Giudecca.

O prémio mais importante da Bienal é o Leão de Ouro, atribuído ao melhor pavilhão dos 57 países participantes, de acordo com a avaliação do júri.

A 57.ª Bienal de Arte de Veneza encerra a 26 de novembro.