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União Soviética

Afixação de retrato de Stalin em estação de metro russa gera críticas

Nos últimos anos, dezenas de monumentos de homenagem a Josef Stalin foram erigidos um pouco por toda a Rússia. Este, um retrato na estação de metro Sokolniki, gerou críticas dos opositores de Putin.

D.R.

Autor
  • Tiago Palma

Sempre foi uma características do regime soviético, bem como de outros regimes (comunistas e não só) ao longo da história: o culto do líder. Após a desagregação da União Soviética, porém, caiu em desuso na Rússia. Não que o culto do líder — hoje e nos últimos 17 anos tem-no sido Putin — não continue a existir, mas existe sob outras formas, mais de “gabinete” e de controlo do Estado e da oposição, e menos sob a forma de murais ou estátuas de reverência a uma figura.

Mas a verdade é que a figura de Josef Stalin continua, e tantos anos após a sua morte, em 1953, a despoletar sentimentos diferentes na Rússia: amor e ódio. Os defensores veem-no como o líder que derrotou a Alemanha nazi durante a II Guerra Mundial; os opositores acusam-no de ordenado a morte a milhares de homens e mulheres enquanto teve na mão os destinos da União Soviética. Em janeiro, uma sondagem da Levada-Center indicou que cerca de metade da população consultada tem uma imagem favorável do antigo ditador.

Meses depois, a 14 de maio, um retrato de Josef Stalin foi afixado à entrada da estação de metro de Sokolniki, no nordeste de Moscovo. E foi-o por ocasião da celebração do octogésimo segundo aniversário da inauguração (a 15 de maio de 1935) da rede de metro na Rússia. Na cerimónia, e ao lado do retrato de Stalin, surgia uma tarja onde se podia ler que o “querido camarada Stalin” é tido como “aquele que deu início e inspirou a construção do metro”.

Putin nunca escondeu a sua admiração por Stalin. Em meados de 2009 chegou mesmo a afirmar que “ninguém pode atirar pedras àqueles que organizaram e lideraram vitória” na II Guerra Mundial. Mas há os que “atirem pedras” ao retrato de Stalin na estação de metro de Sokolniki, como Viktor Shenderovich, humorista russo e opositor de Vladimir Putin. Segundo este, e numa próximo efeméride na Rússia, deverá ser homenageado o “serial killer” Andrei Chikatilo. “Vocês dizem que ele [Chikatilo] foi um serial killer? Certo, é verdade, mas isso não é nada quando comparado com o que Stalin fez”, escreveu Shenderovich no Facebook.

Nos últimos anos, dezenas de monumentos de homenagem a Josef Stalin foram erigidos um pouco por toda a Rússia.

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