O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, clarificou esta terça-feira, no parlamento, que o exército português “não realizou nenhum estudo sobre a segurança” da central nuclear espanhola de Almaraz, em 2010.

Augusto Santos Silva, que falava na comissão parlamentar de Ambiente e Ordenamento do Território, reagiu a uma notícia divulgada esta terça-feira pela Rádio Renascença, segundo a qual “o Exército simulou como Portugal seria afetado em caso de acidente grave na central nuclear espanhola”, num “estudo feito em 2010”.

O chefe da diplomacia portuguesa, que está a ser ouvido no parlamento a propósito da central nuclear de Almaraz a pedido do BE e do PEV, assinalou que “o Exército não realizou nenhum estudo sobre a segurança de nenhuma central nuclear”, incluindo a de Almaraz.

Santos Silva frisou que o que foi feito em 2010, no quadro de um seminário internacional, foi uma simulação da “cobertura de proteção” de uma central nuclear qualquer, não especificada, em caso de haver um acidente grave. O titular da pasta dos Negócios Estrangeiros adiantou que não há registo de acidentes na central nuclear espanhola. “Não temos registo de acidentes na central de Almaraz”, sublinhou.

Citando uma simulação feita pelo Exército em 2010, a Rádio Renascença noticiou esta terça-feira que “cerca de 800 mil pessoas em Portugal podem ser afetadas pela radioatividade”, em especial na região Norte, “caso ocorra um acidente grave na central nuclear de Almaraz”, localizada a cerca de cem quilómetros da fronteira portuguesa.

A simulação, feita a partir de um programa da NATO, “tem como base um cenário idêntico ao acidente de Chernobyl, em 1986, o rebentamento de um reator, seguido de incêndio”.

De acordo com a Renascença, o “trajeto da nuvem radioativa libertada após um acidente grave em Almaraz foi calculado com base na análise das condições meteorológicas registadas entre 2000 e 2010 e tendo também em conta o relevo do terreno”.