Cerca de 60 países devem estar representados nas cerimónias do 15.º aniversário da independência de Timor-Leste, no fim de semana, dia em que toma posse o Presidente eleito, Francisco Guterres Lu-Olo. Entre os presentes, destaque para o Governador-geral australiano, Peter Cosgrove, que tudo indica será o único chefe de Estado presente, segundo fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

O ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação (MNEC) timorense, Hernâni Coelho, confirmou à Lusa que as cerimónias e a tomada de posse serão acompanhadas pelos seus homólogos da Tailândia, Don Pramudwinai, e da Indonésia, Retno Marsudi. “Toda a organização está a correr bem. Estamos habituados a lidar com este tipo de delegações. Em 2012 tivemos ao mesmo tempo cinco visitas de Estado”, disse à Lusa. “Neste caso, a maioria estará cá apenas para a tomada de posse e apenas o meu homólogo da Tailândia realiza uma visita oficial. Haverá no entanto vários encontros bilaterais com os enviados”, frisou.

Presentes estarão ainda a secretária- executiva da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Maria do Carmo Silveira, que chegou esta terça feira a Díli, e o secretário-geral do Fórum de Desenvolvimento das Ilhas do Pacífico (PIDF, sigla em inglês), François Martel.

Ambos, como outros enviados, têm agendados encontros com as autoridades nacionais e participam em conferências relacionadas com a economia, a 21 de maio, e com a Agenda 2030 previstos para 22 e 23 de maio. O secretário-geral da ONU, António Guterres, faz-se representar pela sua chefe de gabinete, Maria Luisa Ribeiro Viotti.

Cerca de uma dezena de países, incluindo Angola, Brasil, China, Japão, Portugal e Moçambique, serão representados por enviados especiais. Portugal estará representado pelo ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, Capoulas Santos, que chega a Díli na quinta-feira e permanece até 22 de maio.

Além da agenda das comemorações, Capoulas Santos deverá participar, na quinta-feira, numa cerimónia de lançamento de um projeto conjunto da União Europeia e da FAO para o combate à seca em várias zonas de Timor-Leste.

Angola deverá ser representada pelo presidente da Assembleia Nacional, Fernando da Piedade Dias dos Santos, e o Brasil pelo ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, o general Sérgio Etchegoyen.

Em representação da China estará Zhang Ping, enviado especial do Presidente Xi Jinping e vice-presidente da Assembleia Popular Nacional. Os Estados Unidos estarão representados por W. Patrick Murphy, vice-secretário de Estado adjunto para o sudeste asiático, o Japão pelo senador Gen Kakatami e a Nova Zelândia por Te Ururoa Flavell, ministro de Desenvolvimento Maori.

No caso do Vaticano, estarão em Díli o núncio apostólico da Austrália, Adolfo Tito Yllana, e o núncio apostólico em Timor-Leste, Mario Codamo. “Esperamos ter no país cerca de 40 diplomatas e representantes de organizações internacionais”, disse ainda Hernâni Coelho.

A lei prevê que o chefe de Estado eleito tome posse numa sessão solene do plenário que será aberta às 22h30 do dia 19 de maio (hora local) pelo presidente do Parlamento Nacional, Adérito Hugo da Costa. Depois de lido o Acórdão do Tribunal de Recurso que confirma a vitória eleitoral de Lu-Olo nas eleições presidenciais de 20 de março, será feito o juramento e assinado o auto de posse de declaração de compromisso.

Esse ato de posse decorre às meia noite de 20 de maio. Após o juramento, Lu-Olo deverá fazer o seu primeiro discurso enquanto chefe de Estado. A tomada de posse de Lu-Olo insere-se nas comemorações dos 15 anos da restauração da independência, que começam a 18 de maio com uma missa de Ação de Graças na Catedral de Díli.