Com “o coração pesado”, mas sentido de “responsabilidade e dever com quem me elegeu, este país e a Constituição”. Foi com estas palavras que Al Green iniciou o discurso de cinco minutos com que, esta quarta-feira, pediu o “o impeachment do Presidente dos Estados Unidos da América por obstrução à justiça”. É o primeiro pedido formal de afastamento de Donald Trump de que há registo, confirmando assim a intenção que o próprio congressista anunciou em conferência de imprensa no início da semana.

O congressista do Texas acusa o presidente de obstruir a justiça, ao demitir e “intimidar” o diretor do FBI, James Comey, a quem terá alegadamente pedido para deixar cair uma investigação sobre eventuais interferências russas na última campanha presidencial. Além disso, reforçou, as suspeitas nos últimos dias de que o presidente norte-americano teria partilhado informação confidencial com a Rússia ampliaram a sua convicção de que o presidente deve ser afastado do cargo.

Ninguém está acima da lei e isso inclui o Presidente dos Estados Unidos da América.”

O democrata Al Green concluiu o seu discurso apelando ao apoio dos restantes congressistas, considerando que o impeachment de Trump é possível mesmo num Senado e numa Câmara de Representantes controladas por republicanos. Garante que não o pede com fins ou motivações políticas, mas porque considera que “a democracia está em risco”. E terminou com um mantra, “Impeach Trump Now”, na expetativa de que sejam os próprios americanos a exigir o afastamento do atual Presidente – algo que já originou um movimento e uma petição que, às 17h desta quarta-feira, já reunia mais de um milhão de assinaturas.

Pode haver ‘impeachment’ de Trump? 11 perguntas e respostas