Numa altura em que a corrida pelos veículos autónomos mantém a indústria automóvel em alvoroço, outras frentes se esforçam por acompanhar igualmente este processo evolutivo. É o caso, por exemplo, dos tradicionais sistemas de sinalização luminosa que, na cidade britânica de Milton Keynes, no Buckinghamshire, prometem contribuir para acabar com os congestionamentos de trânsito, graças à inteligência artificial.

Segundo avança o diário britânico The Telegraph, a administração desta cidade a 72 quilómetros de Londres decidiu investir cerca de 3 milhões de libras (perto de 3,5 milhões de euros) numa nova tecnologia que dotará a rede de sinais luminosos da capacidade de detectar qualquer congestionamento no trânsito. Adaptando, a partir daí, a sequência e duração das luzes (verde, amarela ou vermelha), de forma a que o tráfego circule mais fluentemente.

Os novos semáforos, equipados com câmaras de vídeo e dotados de inteligência artificial, vão poder gerir melhor o trânsito através da duração dos ciclos e desbloquear vias específicas para velocípedes

Recorde-se que, hoje em dia, o sistema de sinais luminosos está concebido para dar prioridade às vias que, à partida, poderão vir a ter mais trânsito. Com as luzes a variarem entre si, numa estrada tradicionalmente com menos movimento, por exemplo, a cada 30 segundos, ao passo que nas ruas com mais trânsito, cada luz pode permanecer acesa até vários minutos. Sendo que, para alterar em determinado momento a configuração inicialmente estabelecida, é preciso que seja um técnico a fazê-lo manualmente, já que os sinais não conseguem reagir ao aumento do fluxo de trânsito, muito comum a determinadas alturas do dia. No entanto, com a implementação da inteligência artificial, através de uma tecnologia desenvolvida pela empresa londrina de mobilidade urbana Vivacity Labs, a situação pode mesmo vir a mudar.

“A verdade é que existe um nível muito baixo de inteligência nos actuais sistemas de gestão da rede viária urbana”, afirma, em declarações ao The Telegraph, o responsável máximo pelo departamento de tecnologia da Vivacity Labs, Yang Lu.

Os sinais luminosos têm um sistema de sequenciação, mas raramente conseguem responder às flutuações de trânsito em seu redor. A monitorização do tráfego ainda é feita de forma manual”, sublinha o mesmo responsável.

Câmaras para ajudar à monitorização

Do sistema que a Vivacity Labs se prepara para instalar em Milton Keynes, fazem parte, por exemplo, cerca de 2.500 câmaras, as quais, uma vez instaladas nos sinais luminosos de trânsito, servirão para monitorizar o fluxo de veículos.

“A tecnologia de inteligência artificial com câmaras identifica de forma precisa as condições de tráfego na via, reportando o fluxo de tráfego que esta tem ao longo do dia. Dispensando, a partir, daí quaisquer interpretações manuais do número de carros que por ali passa, além de reduzir o potencial de erro humano”, acrescenta Yang Lu.

No futuro, o sistema poderá mesmo comunicar com os carros autónomos que estejam permanentemente conectados à rede, ajudando a tornar as estradas mais seguras, tanto para os condutores, como para os peões, defende a empresa. Já que conseguirá, inclusivamente, lançar alertas de situações imprevistas na via, como sejam acidentes ou avarias, com interferência no fluxo do trânsito.

“Pode, efectivamente, melhorar o trânsito, já que o sistema pode ser conectado às actuais redes de gestão de tráfego, ao mesmo tempo que ajuda a proteger os utilizadores mais vulneráveis das vias, como é o caso dos ciclistas. Dando-lhes, por exemplo, prioridade nos sinais. Ou, então, desviando a direcção do trânsito, para zonas longe do congestionamento”, conclui Yang Lu.