Agora é o momento de nos sentarmos, conversar, olharmo-nos nos olhos e falar sobre o projeto. Foi me encarregue uma missão. Tenho a convicção que o FC Porto merece estar no expoente máximo do futebol português. Isso requer muito trabalho. Não necessito de nada mais do que um contrato e a personalidade para fazer o meu trabalho”, atirou Nuno Espírito Santo na flash interview após a derrota em Moreira de Cónegos por 3-1.

“Hoje falhou muita coisa, não foi bom. Foi um mau jogo da nossa parte. Era difícil encontrar concentração, que era aquilo que o jogo necessitava. Apesar de dominarmos, não conseguimos ser eficazes e produtivos. Um jogo que não é o reflexo da nossa equipa”, acrescentou sobre a partida em si. Mas será que não haverá consequências?

Nuno Espírito Santo foi uma aposta pessoal de Pinto da Costa, ciente que um dos pontos em falta nos dragões era aquela mística que tinha conduzido a equipa a tantas vitórias. Por isso, e como o antigo guarda-redes estava livre após sair a meio da época do Valencia, não demorou a fechar negociações com aquele que ainda hoje é conhecido pela frase “Somos Porto!”, no seguimento dos castigos a Sapunaru e Hulk por causa dos incidentes no túnel da Luz.

O início não foi fácil pela intermitência, mas o apuramento para a fase de grupos da Champions após vencer a Roma foi um balão grande de paciência para os adeptos azuis e brancos. Que, face a uma série de triunfos consecutivos na segunda volta, acreditaram mesmo que poderiam ser campeões. E era só isso também que sobrava, porque as Taças de Portugal e da Liga já tinham acabado, enquanto o sonho de ir mais longe na Liga dos Campeões ficou quase sentenciado a derrota por 2-0 em casa com a Juventus na primeira mão dos oitavos-de-final. Bem ou mal, é a última imagem que fica. E essa foi cinzenta, cinzenta. Pelo menos cinzenta. Veremos se não ficará mesmo negra.

FC Porto. 35 anos depois, Pinto da Costa já não é o que foi

Nas últimas nove jornadas, o FC Porto teve até duas vezes a oportunidade de isolar-se na frente do Campeonato e muitas mais para adiar tudo para a última ronda. Ao invés, com algumas exibições sofríveis, os dragões fizeram 14 em 27 pontos, com três vitórias, cinco empates e uma derrota. Para quem queria uma equipa com estofo, foi esse mesmo estofo que faltou nos momentos decisivos da temporada. E Pinto da Costa, que não ganha nenhum troféu desde agosto de 2013, agudizou o maior jejum de troféus que teve em 35 anos de presidência. De forma “anormal” para o que é costume, a contestação chegou mesmo às paredes da casa do número 1 azul e branco.

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Como se percebeu pelas palavras do técnico no final da partida, alguma coisa terá de mudar. Mas dizer que este foi um ano bom para construir uma base para o futuro também não é bem assim: se o FC Porto não vendesse nenhum jogador, aceitava-se essa ideia; assim, o mais provável é mesmo que baralhe, parta e volta a dar uma nova equipa. Com ou sem Nuno Espírito Santo, eis a dúvida. O técnico tem mais um ano de contrato, mas sabe-se bem que isso no futebol pode não querer dizer nada. Esperemos então pelo tal encontro, “olhos nos olhos”. Até porque a contestação interna ao treinador não é propriamente uma coisa recente.