“Hoje vamos jogar assim, de preto”, anunciavam as redes sociais do FC Porto horas antes do encontro em Moreira de Cónegos, frente ao Moreirense. A ideia era puxar pelos adeptos, esquecer que o sonho do título perdido na derradeira jornada, apelar à honra para terminar da melhor forma a Primeira Liga. Afinal, o que se viu foi uma exibição da cor da camisola: negra, sem ideias, a potenciar tudo o que de mau se viu nos dragões e sem um pingo do que de bom conseguiu apresentar sobretudo na segunda volta. E a perder, 29 jogos depois – nem este pequeno recorde interno os comandados de Nuno Espírito Santo conseguiram.

Pior: com este resultado, os dragões perderam o estatuto de equipa com mais golos da Primeira Liga (71, contra 72 do Benfica) e também da defesa menos batida (19 golos consentidos, contra 18 dos encarnados). Nem o Moreirense alguma vez tinha ganho aos azuis e brancos mas hoje valia mesmo tudo. O resultado terminou 3-1 mas poderia ter sido apenas derrota por falta de comparência. Porque esse é o melhor resumo da exibição portista.

Ficha de jogo

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Moreirense-FC Porto, 3-1

34.ª jornada da Primeira Liga

Estádio Comendador Joaquim Almeida Freitas, em Moreira de Cónegos

Árbitro: Fábio Veríssimo (AF Leiria)

Moreirense: Makaridze; Sagna, André Micael, Diego Ivo, Rebocho; Cauê, Neto (Schons, 68’), Nildo; Frédéric Maciel (Alex, 68’), David Ramírez (Saré, 76’) e Boateng

Treinador: Petit

Suplentes não utilizados: Stefanovic, Marcelo Oliveira, Roberto e Sougou

FC Porto: José Sá; Maxi Pereira, Felipe, Marcano, Alex Telles; Danilo, Herrera (André Silva, 46’), André André; Otávio (Corona, 46’), Brahimi e Soares (Rui Pedro, 67’)

Treinador: Nuno Espírito Santo

Suplentes não utilizados: Casillas, Boly, Rúben Neves e Óliver Torres

Golos: Boateng (16’), Frédéric Maciel (37’), Maxi Pereira (66’) e Alex (83’)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Rebocho (31’), Alex (84’), Cauê (90’), Boateng (90+5’) e Marcano (90+5’)

Mas se pensa que o FC Porto aproveitou a última jornada para provocar uma revolução no onze, desengane-se: à exceção da troca na baliza, com a saída de Casillas e a entrada de José Sá, jogaram os melhores no sistema de 4x3x3. Bom, jogar é mesmo uma forma de expressão simpática. E o 2-0 ao intervalo até era lisonjeiro para os azuis e brancos, que não criaram qualquer perigo na frente.

Do outro lado, o Moreirense não ameaçava, marcava logo. E das duas vezes que foi lá à frente com perigo, apontou dois golos, por Boateng (16′) e Frédéric Maciel (37′), curiosamente um jogador que o FC Porto desviou da formação do Sporting mas deixou sair, para a Bélgica (Mouscron). Os cónegos também não fizeram uma exibição portentosa mas, verdade seja dita, conseguiram cumprir os seus objetivos com enorme rigor tático, sacrifício e entreajuda.

Ao intervalo, Nuno Espírito Santo lançou Corona e André Silva, Petit recuou ainda mais os blocos. E se na primeira parte o único momento de alguma agitação na bancada onde estavam os adeptos portistas deu-se aos 36 minutos, quando passou um drone com uma bandeira vermelha e 36 inscrito numa provocação de alguém afeto ao Benfica, na etapa complementar só um golo acrobático de Maxi Pereira na área, aos 66′, conseguiu merecer aplausos. Mas seria o Moreirense, mais uma vez, a marcar, com Alex a fazer o 3-1 a sete minutos do final e quando o Arouca já se tinha colocado a jeito para descer de divisão (o Tondela voltou a safar-se por milagre… e por um golo).

A seguir a esse tento, alguns adeptos do FC Porto que estavam na bancada central começaram a protestar com Nuno Espírito Santo. Rui Vitória fica no Benfica, Jorge Jesus fica no Sporting, Nuno pode não ficar nos dragões. E se a coisa não estava fácil, esta última amostra apenas veio adensar essa cisão em torno do treinador azul e branco.