Não foi a primeira vez que o Campeonato de Espanha ficou decidido na última jornada. Nem a segunda. Nem a terceira. Ainda assim, e na história mais recente, houve dois finais de prova de loucos: em 1994, uma super equipa do Deportivo da Corunha precisava apenas ganhar ao Valencia em casa mas o central Djukic falhou um penálti no último minuto e entregou de mão beijada a vitória ao Barcelona; duas décadas depois, em 2014, os catalães precisavam apenas de vencer em casa o Atl. Madrid mas os colchoneros, com um golo de cabeça de Godín, agarraram-se ao resultado com unhas e dentes e quebraram mesmo um longo jejum de 18 anos sem títulos. Há sempre qualquer coisa que fica para a história nestas decisões. Ronaldo não gosta de História, prefere fazer a sua.

O encontro fora com o Málaga era o último obstáculo que separava o Real Madrid do título. Mas não demorou a ser desmontado e pelo suspeito do costume: aos 2′, um grande passe de Isco na profundidade isolou Cristiano Ronaldo, que fintou Kameni, inaugurou o marcador e convocou desde logo os adeptos a irem para a Praça de Cibeles, onde todas as conquistas do clube são celebradas. Mais tarde, aos 55′, Karim Benzema fechou as contas com o 2-0 num encontro onde Navas, o guarda-redes tantas vezes criticado, acabou por ser um dos melhores.

Assim, os merengues conquistaram o 33.º Campeonato, quebrando um jejum de cinco anos repartido entre Barcelona e Atl. Madrid (a última vitória tinha sido conseguida por José Mourinho) e aumentando para nove a diferença para os catalães, o maior rival do Real. Zidane, esse, festejou um título como técnico depois de já ter conseguido o mesmo feito como jogador, quando fazia parte da era dos Galáticos. Foi um dia emblemático para a Liga espanhola, com a despedida amarga de Luís Enrique do comando do Barcelona em Camp Nou com um triunfo por 4-2 sobre o Eibar que de nada valeu e o último encontro realizado no emblemático Calderón pelo Atl. Madrid. Mas, no final do dia, só deu e dará Real, que conseguiu ser mais regular do que os adversários diretos.

Para Cristiano Ronaldo, este foi o décimo troféu conquistado pelo Real desde 2010/11: dois Campeonatos, duas Taças do Rei, uma Supertaça de Espanha, duas Liga dos Campeões, uma Supertaça Europeia e dois Mundiais de Clubes. E com uma curiosidade: em caso de vitória na final da Champions, frente à Juventus, o português ficará com mais Liga dos Campeões do que Campeonatos. Afinal, foi para isso que ele foi contratado. E não falha.

Sem esquecer os também campeões Pepe e Fábio Coentrão (Portugal teve representantes entre quatro dos cinco campeões do Big Five: Renato Sanches no Bayern; Bernardo Silva, João Moutinho e Leonardo Jardim no Mónaco; Eduardo no Chelsea), o currículo de Cristiano Ronaldo conta já com 20 títulos coletivos (e que provavelmente levará também à quinta Bola de Ouro, igualando Mesi): um Campeonato da Europa de Seleções, três Campeonatos de Inglaterra, uma Taça de Inglaterra, duas Taças da Liga de Inglaterra, uma Supertaça de Inglaterra, dois Campeonatos de Espanha, duas Taças do Rei, uma Supertaça de Espanha, três Liga dos Campeões, uma Supertaça Europeia e três Mundiais de Clubes. Ainda, este ano, ainda falta jogar a final da Champions, pelo Real Madrid, e a Taça das Confederações, por Portugal.