A criminalidade relacionada com o jogo em Macau, ocorrida dentro ou fora dos casinos, aumentou no primeiro trimestre do ano, com o registo de pelo menos um sequestro por dia, anunciaram esta segunda-feira as autoridades.

De acordo com dados divulgados pelo secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, entre janeiro e março, foram sinalizados 105 casos de sequestro, o que representa um aumento face aos 89 do período homólogo do ano passado, mas uma descida na comparação trimestral (155 casos).

Foram ainda registados 89 casos de usura, número que traduz uma diminuição tanto em termos anuais como em termos trimestrais, com 106 e 121 casos, respetivamente.

Segundo os dados fornecidos pela Polícia Judiciária de Macau, a quem compete a fiscalização nos casinos e a investigação de crimes relacionados com o jogo, foram instaurados 424 processos de crimes relacionados com o jogo (inquéritos e denúncias), ou seja, mais 15,2% face aos 368 dos primeiros três meses de 2016.

A maioria dos casos ocorreu dentro dos locais de entretenimento “não havendo indícios” que mostrem esses crimes (sequestro e usura) fora desse ambiente, pelo que “a sua ocorrência não constitui impacto na segurança da sociedade”, afirmou o secretário, no balanço da criminalidade do primeiro trimestre.

Wong Sio Chak referiu ainda que, apesar de ambos terem sofrido uma descida em termos trimestrais, tal “não alivia” a “atenção dedicada” das autoridades.

De acordo com as mesmas informações, a maioria dos ofendidos e dos suspeitos não é residente de Macau.

Entre janeiro e março, foram presentes ao Ministério Público (MP) 445 pessoas por crimes relacionados com jogo, mais 5% relativamente aos 424 do primeiro trimestre de 2016, o que, na perspetiva da tutela da Segurança, “demonstra uma subida na eficácia do trabalho de resolução dos crimes relacionados com o jogo”.

Em paralelo, entre janeiro e março, foram registados 12 casos de associação criminosa — mais oito –, uma subida que as autoridades também consideraram que “tem a ver com o incremento do reforço da investigação da PJ nos casos de imigração ilegal e de usura”.

Wong Sio Chak destacou ainda a manutenção de uma “taxa zero” da criminalidade violenta e grave, como homicídio, rapto e associação secreta.

“Até ao presente, a polícia ainda não recebeu informações sobre qualquer anormalidade no comportamento de associações secretas”, salientou, para reiterar que “o ajustamento no setor do jogo”, numa referência à subida das receitas dos casinos desde agosto, “ainda não trouxe consequências para a situação de segurança de Macau”.

“Tendo em conta os grandes interesses induzidos pelo jogo e os setores que gravitam na sua periferia, bem como a sempre admissível flutuação do setor do jogo, não podemos deixar de ponderar que haja delinquentes que aproveitem essa oportunidade para praticar atos ilegais”, sublinhou.

Em termos globais, a criminalidade aumentou 5,1% no primeiro trimestre, período durante o qual foram instaurados 3.502 inquéritos, estando a maior parte dos delitos incluída no grupo dos crimes contra o património (1.890 ou menos 24 casos), liderado pelo furto (807 ou menos 61 casos).

Tendência idêntica verificou-se no domínio da criminalidade violenta, com 191 casos, mais 5,5% ou mais dez ocorrências em termos anuais homólogos, a qual se ficou a dever ao aumento dos sequestros, dado que, além da “taxa zero” de homicídios e raptos, manteve-se a “casuística muito baixa” de ofensas corporais graves (um caso).

Seguem-se, por dimensão, os crimes contra a pessoa (681 casos ou mais 55), que dizem respeito principalmente a ofensas simples à integridade física (405 ou mais 34), e os crimes contra a vida em sociedade (288 ou mais 102).

Neste grupo, destaca-se o aumento da falsificação de documento (de 113 para 129), o “acréscimo notável” de 50 para 95 do número de casos de passagem de moeda falsa, envolvendo um valor aproximado de 8,8 milhões de patacas (980 mil euros), estando a grande fatia relacionada com fichas de jogo falsificadas. O número de casos de fogo posto também aumentou de dois para 15.

Em sentido inverso, diminuíram os casos de tráfico de droga (43, ou menos cinco), os de consumo (24, ou menos um) e os de delinquência juvenil (14, ou menos dois).

Em baixa manteve-se também o número de imigrantes ilegais e/ou pessoas em excesso de permanência que caiu de 7.451 para 7.125.

No total, foram detidos e presentes ao MP 1.822 indivíduos, mais 207 ou 12,8% em relação ao primeiro trimestre do ano passado.