Os hoteleiros estimaram que a oferta em Lisboa seja superior à procura nos próximos anos, caso se confirmem as previsões de que a capacidade do aeroporto da capital se esgote em 2018.

“A capacidade do aeroporto de Lisboa vai esgotar-se e até 2022 a oferta de Lisboa crescerá e não vamos ter mais turistas, se se mantiverem as coisas tal como estão, o que é preocupante” por poder afetar taxas de ocupação e os preços, alertou hoje o presidente da Associação de Hotelaria de Portugal (AHP), Raul Martins.

Em declarações aos jornalistas, o responsável justificou a situação com a “decisão tardia do aeroporto [complementar de Lisboa, que deverá localizar-se no Montijo] e a complexidade” do processo.

Para garantir que os turistas acompanhem a oferta, a AHP estimou que as companhias aéreas aumentem a frequência do uso de aeronaves com maior capacidade e sugeriu que a TAP “repense o Porto como um ‘hub’ para voos intercontinentais e para a Europa”, em vez de concentrar as operações em Lisboa.

Os hoteleiros também insistiram na análise para aumentar o número de voos no período noturno.

Numa reunião com a ANA-Aeroportos de Portugal, os hoteleiros receberam a informação de que um plano de contingência poderá avançar no final do mês para alterar situações no ar e em terra, nomeadamente para fazer face a rejeição de voos diários, por falta de capacidade.

Em terra, a presidente executiva da AHP, Cristina Siza Vieira notou a necessidade de reforço dos meios do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, uma vez que se tem registado elevados movimentos durante a hora de almoço.

A mesma responsável lembrou que se o novo terminal de cruzeiros, que poderá ser inaugurado este verão, somar partidas e chegadas “aumentará ainda mais a carga sobre o aeroporto” Humberto Delgado, que este ano deverá chegar aos 26 milhões de passageiros.

Em 2016 foram registadas 53 milhões de dormidas no país e 19 milhões de turistas, segundo dados do INE, recordados hoje pelos hoteleiros.