Depois do Dieselgate, são várias as marcas de automóveis que continuam na mira das autoridades de diversos países, nas mais distintas latitudes, devido à possibilidade de terem manipulado os valores relativos às emissões de alguns dos seus motores a gasóleo. As notícias mais recentes são protagonizadas pela Daimler, no seu país natal, e pela FCA, nos EUA.

O grupo que detém, entre outras, a Mercedes, a Smart e a AMG, foi alvo de buscas por parte dos procuradores alemães, no âmbito de uma investigação relacionada com publicidade enganosa e possível manipulação do tratamento dos gases de escape em automóveis animados por motores a gasóleo. O gabinete da procuradoria de Estugarda fez saber que 23 procuradores, acompanhados de mais 230 elementos (entre polícias e autoridades criminais), estiveram envolvidos em buscas efectuadas em 11 instalações do construtor, em diversos estados da Alemanha, na procura de ficheiros, dados e outras provas que possam confirmar as suas suspeitas.

A Daimler referiu estar a cooperar com as autoridades numa investigação iniciada em Março, e que começou por visar funcionários da empresa, identificados e desconhecidos. Funcionários esses suspeitos de fraude e publicidade enganosa relacionados com a manipulação de emissões em automóveis de passageiros a gasóleo.

Do lado de lá do Atlântico, e como se previa, a Fiat Chrysler Automobiles (FCA) foi mesmo alvo de uma acção civil relacionada com a alegada manipulação das emissões dos motores a gasóleo dos Jeep Grand Cherokee e Ram 1500 produzidos entre 2014 e 2016. O processo foi interposto pelo Departamento de Justiça dos EUA num tribunal de Detroit e, no limite, segundo o autor, poderá resultar numa multa máxima 4,1 mil milhões de euros.

Mas também é possível que sirva para pressionar o grupo ítalo-americano a aceitar um acordo que lhe permita compensar o Estado americano pelas suas alegadas acções fraudulentas. No fundo, à semelhança do que aconteceu com a Volkswagen, pese embora a FCA, ao contrário da sua congénere germânica, continue a negar veementemente ter utilizado qualquer software ilegal nos seus veículos.

Em comunicado, a FCA manifestou o seu desapontamento face ao caminho escolhido pelo governo estado-unidense neste processo, reiterando ainda a sua intenção de se defender vigorosamente, em especial das alegações que afirmam ter utilizado, de forma deliberada, dispositivos destinados a falsear os testes de emissões dos EUA. O facto é que a acção está em curso, e que a FCA enfrenta, ainda, uma investigação criminal relacionada com o mesmo tema, também a cargo do Departamento de Justiça dos EUA, bem como vários processos movidos por clientes e concessionários, também eles devidos a esta problemática.