De um lado estão os alunos da Escola Secundária de Vagos, que garantem que duas colegas foram repreendidas por uma funcionária por estarem a namorar apenas por serem lésbicas, e não necessariamente por estarem a dar nas vistas ou a ter um comportamento indecoroso — até porque os pares heterossexuais não costumam ser chamados à atenção, garantiram vários estudantes sob anonimato ao Público.

https://twitter.com/joaospannagel0/status/867447697778896896

Do outro, está o diretor da escola que, ao JN, explicou que tudo não passou de um grande mal-entendido: “Não houve qualquer repreensão ou crítica à orientação sexual das alunas. Na passada segunda-feira, um elemento da direção falou com uma das alunas, num local reservado, pedindo alguma contenção, no sentido de as proteger”.

Na sequência do incidente, várias dezenas de alunos da escola, no distrito de Aveiro, mobilizaram-se esta quarta-feira para uma manifestação em que gritaram “não ao preconceito” e “não à homofobia”.

https://twitter.com/RamalheteSlb92/status/867442110315851787

De acordo com Hugo Martinho, o diretor da escola, o protesto “não é representativo do universo de alunos da escola” e terá resultado de “algum ruído na comunicação”.

Seja como for, e com as fotografias e vídeos da manifestação partilhados no Twitter e outras redes sociais, o caso alcançou proporções nacionais, tendo a coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, feito retweet de uma imagem alusiva ao protesto.

De forma mais formal, numa pergunta subscrita pelos deputados Joana Mortágua e Moisés Ferreira, o Bloco de Esquerda quer saber se o Ministério da Educação tem conhecimento do caso e que medidas vai tomar para impedir “qualquer ato discriminatório por parte desta escola em relação às duas alunas e a toda a comunidade escolar devido à sua orientação sexual”.

No texto, os deputados sustentam que duas alunas da Escola Secundária de Vagos “terão sido vistas a beijarem-se por uma funcionária da escola” e depois “chamadas à direção da escola, onde terão sido informadas que não se podem beijar em público porque isso ‘incomoda pessoas'”.

“A atuação da direção da escola visou especificamente a orientação sexual das alunas. Os alunos da Escola Secundária de Vagos realizaram hoje um protesto contra a homofobia e contra a presente situação em concreto”, expõem os deputados bloquistas, acrescentando que, “de acordo com relatos de alguns alunos e alunas, a polícia terá sido chamada e os estudantes ameaçados de processo disciplinar”.

Os deputados questionam também o Ministério de Tiago Brandão Rodrigues sobre como agirá para garantir que os alunos que “exerceram o seu direito de manifestação não são prejudicados”, designadamente com processos disciplinares.