O Autódromo do Estoril foi o primeiro circuito dedicado às competições motorizadas em Portugal e há 45 anos que está ilegal. Segundo o jornal Público, desde 1972, ano em que foi inaugurado, que não existe qualquer licença de construção ou de utilização, situação esta que acabou por levar o Autódromo a passar para as mãos do Estado há duas décadas.

A construção do edifício teve um início, já de si, pouco comum e dentro da lei. Fernanda Pires da Silva, fundadora do Grão-Pará, grupo empresarial centrado na construção e no turismo e responsável pela construção do Autódromo do Estoril, não tinha as devidas autorizações para iniciar a obra (até porque a escritura de compra e venda dos terrenos foi celebrada dois anos após a inauguração do edifício).

Assim que a construção teve início, já com alguns problema a nível burocrático, era notável que não havia espaço suficiente nos terrenos para fazer as pistas. Sem ponderar a hipótese de parar a obra ou diminuir o edifico, A Grão-Pará decidiu apoderar-se de parcelas de terrenos que não lhes pertenciam e avançou com a construção daquele que, a 12 de junho de 1972, foi inaugurado como sendo o Autódromo do Estoril pelo Presidente da República Américo Tomás, e por vários membros do Governo de Marcello Caetano.

A Autodril – Sociedade do Autódromo do Estoril recebeu ameaças de expropriação por parte da Câmara Municipal de Cascais (CMC) que acabaram por não adiantar de muito. O município e o Estado acabaram por promover e suportar, apesar da situação ilegal, obras no circuito para que correspondesse às exigências da Fórmula 1.

Em 1997, devido a um acordo intitulado Acordo Global, o Autódromo do Estoril acabou por passar para a esfera pública para liquidar dívidas do Grupo Grão-Pará ao Fisco, Segurança Social, Fundo de Turismo e Tesouro.