Os perfumes são mais que meros cheiros. Representam estados de espírito, poder, sensualidade e desejo. E têm mais ação no cérebro do que no nariz, como nos disse em entrevista Thierry Wasser, mestre perfumista na casa Guerlain desde 2008. É, assim, impossível resumir um perfume como um simples aroma a isto ou aquilo quando alguns evocam até as mudanças que se vão passando no mundo, as guerras, os problemas de cada época, as lutas e os próprios climas políticos.

Se, nos anos 20, Gabrielle Chanel começava uma revolução na perfumaria (e na moda) com o icónico Chanel nº 5, nos anos 40 Christian Dior apresentava ao mundo aquele que se viria a tornar um marco feminino — Miss Dior — para uma mulher do pós-guerra que se assumiu feminina e sensual. Seriam, no entanto, precisos 50 anos para nascer o primeiro (e novamente revolucionário) perfume unisexo — CK One — que se tornou um dos mais copiados de sempre. Com as descobertas cosméticas a todo o vapor, nos anos 90, Angel — de Thierry Mugler — lançou outro marco: foi o primeiro perfume a usar ingredientes de alimentos como caramelo, baunilha ou chocolate. E chegamos a 2017 e ainda há espaço para novidades.

Diga adeus aos perfumes só de homem ou mulher. Há cada vez mais fragrâncias sem género

Um dos padrões que fez parte de praticamente todo o último século foi o vaporizador como forma comum de se utilizar o perfume. Em tempos passados, o borrifador em forma de almofadinha representava mesmo aquele imaginário de perfume das rainhas que todas as mulheres queriam ter em casa e que, nos dias de hoje, ainda se vê em algumas marcas. Mas não ficamos por aí…

Da almofada ao cabelo, do roll-on ao spray corporal

A revista Vogue norte-americana destacou algumas novas formas de usar perfume sem passar pelo clássico vaporizador, como o perfume numa espécie de pincel de maquilhagem da marca de fragrâncias Byredo em que um pó micro-fino e transparente vai perfumando a pele. Já o estilista Derek Lam criou um stick em formato roll-on do seu perfume Crosby em 10 aromas diferentes. Também já as lojas Sephora apostaram nesta vertente portátil prática e, atualmente, podem encontrar-se versões em roll-on de muitos perfumes como Chloé, Marc Jacobs e Michael Kors.

Para quem acha o ritual “pescoço, atrás das orelhas e pulsos” muito limitativo (ou para quem acha os perfumes demasiado intensos), muitas marcas estão a focar-se nos sprays corporais que se aplicam após o banho e perfumam a pele. São mais frescos e suaves que os perfumes comuns porque a sua concentração de fragrância vai apenas até 5% (os Eau de Toilette têm entre 5% a 15%, os Eau de Parfum entre 15% e 20% e os Parfum — os mais fortes (e caros) — entre 20% e 40% de fragrância).

Como fazer com que o perfume dure mais tempo na pele

Mas os novos perfumes não se destinam apenas à pele ou ao corpo. Já há as chamadas “pillow mist” que são uma espécie de fragrância para a almofada (ou para o quarto) que perfumam e ajudam a dormir melhor. E fugindo aos sprays, temos os óleos perfumados que podem substituir os perfumes e ainda deixam a pele macia e brilhante. Outras marcas, como Jo Malone, estão a apostar nos perfumes de cabelo — uma espécie de névoa nutritiva que, além de perfumar, deixa os fios com brilho. É uma edição limitada que vai estar disponível em Portugal apenas de maio a julho.

Na fotogaleria, em cima, veja estas e outras novidades bem cheirosas que nos vêm dar toda uma nova forma de tirar partido das fragrâncias no corpo, no nariz e, claro, no cérebro.