O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, acompanhou esta quarta-feira o recenseamento de três portuguesas para as eleições locais luxemburguesas, considerando que a participação política da comunidade é importante para defender os seus interesses.

Em declarações aos jornalistas, as três portuguesas disseram que foram convidadas por um dirigente associativo local para se recensearem, respondendo ao apelo feito na terça-feira pelo Presidente.

À chegada à Câmara do Luxemburgo, Marcelo Rebelo de Sousa, que termina esta quarta-feira uma visita de Estado de dois dias ao Luxemburgo, admitiu que esta iniciativa “é um bocadinho forçar as circunstâncias”, mas referiu que é a única forma, porque “senão as pessoas não o fazem”.

“É preciso que os amigos e as pessoas com quem trabalham, com mais conhecimentos, incentivem outros portugueses a votar”, disse o Presidente, considerando que só através da participação política é possível aos portugueses defenderem os seus interesses.

Maria está há 40 anos no Luxemburgo e nunca pensou recensear-se. Veio porque foi convidada, disse. Também Laurinda de Fátima está há 32 anos no Luxemburgo e disse que nunca teve “vontade de votar”.

A outra portuguesa, Antónia Faia, disse mesmo que foi convidada “porque vinha o Presidente”, referindo que, desde que chegou ao Luxemburgo há 15 anos, nunca teve interesse em votar, mas agora sim porque tem “novos amigos ligados à política”.

Estas portuguesas foram convidadas a recensearem-se por José Trindade, dirigente do Centro de Apoio Social e Associativo (CASA), que referiu que na cidade do Luxemburgo há apenas mil portugueses inscritos para votar nas eleições locais, que se realizam no outono, num universo de “cerca de 15 mil”.

Questionado sobre o facto de haver portugueses a viver há 40 anos no Luxemburgo sem se recensearem, Marcelo respondeu: “É impressionante”.

“Ainda não perceberam como é importante haver portugueses no poder local e votarem para defender os interesses dos luxemburgueses, mas sobretudo dos portugueses, e é essa a força que vim fazer”, disse, antes de acompanhar as três portuguesas no processo de recenseamento.