A cantora portuguesa Ana Bacalhau, vocalista dos Deolinda, vai editar em outubro Nome Próprio, o primeiro álbum a solo, “confluência de tudo aquilo” que é e ouve, revelou à agência Lusa.

“Há algum tempo que sentia este desejo, esta necessidade de perceber quem é que eu sou quando faço música em nome próprio. (…) Quem é que eu sou quando só me tenho a mim para me representar? Já é tempo de deixar de lado das inseguranças e avançar com isto”, afirmou.

Nome Próprio sai a 20 de outubro, com selo da Universal Music, e a maioria dos temas foi escrita por autores convidados, como Miguel Araújo — que assina “Ciúme”, o primeiro ‘single’ –, Samuel Úria, Jorge Cruz, Nuno Prata, Nuno Figueiredo, Capicua, Márcia, Carlos Guerreiro, Francisca Cortesão e o autor Afonso Cruz.

[o vídeo de “Ciúme”:]

Ana Bacalhau assina pela primeira vez a letra e música de uma música, “Deixo-me ir”, e escreveu a letra de outros dois temas, “Só Eu” e “Menina Rabina”.

Depois de ter integrado os Lupanar e de ser cofundadora dos Deolinda, Ana Bacalhau, de 38 anos, quis repartir-se por um caminho em nome próprio, que foi experimentando esporadicamente nos últimos anos. Em 2013 fez alguns concertos que serviram de laboratório para este álbum.

“Este disco é a minha forma de dizer que é um bocadinho do meu mundo. Agora é o momento que sinto que tenho de me cantar a mim”, explicou.

Apesar de Nome Próprio ser um disco a solo, a verdade é que “ninguém faz nada que importe ao mundo sozinho”, rematou. Ana Bacalhau pediu canções àqueles autores para que a ajudassem a construir uma sonoridade, um universo sonoro que fosse a “impressão digital” dela.

“É interessante ter uma visão de quem eu sou de alguém de fora, de quem me conhece e não me conhece. Queria saber qual a leitura que as pessoas faziam de mim”, justificou.

Ao vivo, Ana Bacalhau estará acompanhada de um quarteto — informalmente apelidado de As Pataniscas –, com Luís Figueiredo (teclados), Luís Peixoto (cavaquinho, bouzouki, banjo), Zé Pedro Leitão (contrabaixo, baixo) e Alexandre Frazão (bateria, percussão).

Musicalmente, Nome Próprio não será uma “uma repetição ‘ipsis verbis’ ou uma citação” do que Ana Bacalhau faz nos Deolinda.

“Senão era uma redundância e não acrescentava nada de novo nem a mim e seria um desrespeito pelo legado dos Deolinda, que é feito a quatro. Era importante chegar a um som que fosse meu. Vão notar-se influências que já se notam em Deolinda, mas tem outras partes de mim, sonoras, líricas, interpretativas que não fazem sentido no universo artístico dos Deolinda”, afirmou.