Um ministro que é o Cristiano Ronaldo das Finanças?, perguntou-lhe a jornalista. “Portugal [é que] tem desempenhado um papel de Cristiano Ronaldo na Europa”, respondeu Mário Centeno numa entrevista à RTP3 na noite desta quinta-feira, chutando para canto numa reação ao comentário do congénere alemão, Wolfgag Schauble. O ministro das Finanças continuará a ser um dos nomes na short-list para a presidência do Eurogrupo, mas garante que está “focado” no que ainda não foi feito em Portugal; admite a “expetativa” de que o rating do país seja revisto a breve trecho, empurrado pela saída do Procedimento por Défice Excessivo; reitera que em janeiro já não haverá sobretaxa de IRS para “ninguém” e que não haverá aumento de impostos no próximo Orçamento do Estado. Mas como é que se chegou ao défice mais baixo da democracia? Não foi com cativações, assegura o ministro.

Na entrevista à RTP3, Mário Centeno considerou que a saída de Portugal do Procedimento por Défice Excessivo (PDE), sendo importante para aliviar pressão sobre o país, não é o fim da maratona. “Cumprir metas é essencial para um país que partilha com outros [países] objetivos”. Que a decisão da Comissão Europeia sirva, pelo menos, para que as agências de rating possam mudar a perspetiva sobre o país: “Temos a expetativa de que, com a saída do PDE, se possa, nas próximas revisões, materializar-se essa revisão” e que o país saia do nível de lixo.

Estabilidade” é uma palavra relevante no discurso de Centeno. Estabilidade em matéria fiscal — não há aumento de impostos em 2018, há fim da sobretaxa do IRS e o IRC fica como está — mas também existe estabilidade no campo político. “Houve aqui um virar de página e não podemos correr o risco de olhar para trás”, sublinhou Centeno.

Nos últimos dias, o presidente da República ocupou alguns minutos de tempo noticioso ao antecipar, em Zagreb, Croácia, que um crescimento de 3,2% no final do ano “é uma hipótese que não está afastada”.

Crescimento de 3,2% e défice de 1,4% “é uma hipótese” para este ano, afirma Marcelo na Croácia

Centeno prefere não contribuir para a fazer crescer a onda de entusiasmo que se tem navegado. “Não querendo entrar na estafeta do otimismo em que vamos passando o testemunho do otimismo uns aos outros”, ressalvou o ministro, “temos todas as condições para crescer acima de 2% à média anual no fim de 2017″, antecipou sem ir tão longe quanto o Presidente da República. Se, por um lado, o país cresce, por outro reduz dívida. Compromissos?

Em 10 anos, podemos colocar o rácio da dívida em 100% [do PIB], com a dinâmica que a economia tem neste momento, e esse é o trajeto que temos de desenhar”.

Já no final da entrevista, quando foi questionado sobre se admitia recorrer, como este ano, a cativações nas áreas da Saúde e da Educação como forma de garantir o cumprimento do défice previsto, Centeno sublinhou: “Não é só na rima camoniana que cativações não rima com SNS nem Educação, porque não houve cativações nem no SNS nem na Educação” em 2016.