Se em 2013 as candidaturas independentes foram já a quarta força política mais votada, nas eleições autárquicas de 1 de outubro a fasquia pode subir. Segundo Aurélio Ferreira, presidente da Associação Nacional Movimentos Autárquicos Independentes, ao Jornal de Notícias, a ideia é que o número de candidaturas sem selo partidário passe de “88 para mais de 150”, com a garantia de que “vai haver mais candidatos independentes e mais candidatos eleitos”.

O crescimento destas candidaturas independentes baralha as contas dos partidos, com PS e PSD a serem os mais prejudicados. Em todo o caso, segundo reconhece o politólogo António Costa Pinto ao Jornal de Notícias, muitas destas candidaturas que são consideradas independentes têm lastro partidário.

Para Costa Pinto, só Rui Moreira, atual presidente da câmara do Porto e recandidato, e José Manuel Silva, ex-bastonário da Ordem dos Médicos que concorre a Coimbra, são os “verdadeiros independentes”. Todos os outros, segundo o politólogo resultam de uma de três situações: ou são dissidentes do seu partido, ou foram punidos pelo partido, ou concorrem em concelhos vizinhos àqueles a que, pela limitação de mandatos, não podem voltar a candidatar-se.

Em 2013, segundo aquele jornal, foram eleitos 13 independentes, o que representa 4,2% do total de 308 câmaras. Este ano, contudo, o número deverá aumentar, ainda que as candidaturas tenham mais a ver com dissidência partidária do que com movimentos genuínos de cidadãos. Para Costa Pinto, ainda assim, há aspetos positivos desta proliferação de candidaturas: “aumenta a pluralidade e obriga os partidos a reagir”, diz ao JN.

Aurélio Ferreira, presidente da Associação Nacional Movimentos Autárquicos Independentes, e também candidato à câmara da Marinha Grande, acredita que o número vai ultrapassar a bitola dos 150 independentes, e que isso é prova do “descrédito nos partidos”.