A presidente da Fundação José Saramago, Pilar del Rio, recebeu nesta sexta-feira, em Madrid, o prémio luso-espanhol de Arte e Cultura 2016, numa cerimónia em que defendeu a “ligação” e uma “viagem em conjunto” da cultura de Portugal e de Espanha, até ao “Atlântico Sul”.

“É agradável receber prémios”, confidenciou Pilar del Rio aos jornalistas, acrescentando ser muito interessante os dois países estarem ligados culturalmente, pelo facto de serem vizinhos, com a possibilidade de fazerem viagens culturais juntos, como no livro de José Saramago “Jangada de Pedra”.

O Presidente de Portugal e os ministros da Cultura dos dois países da Península Ibérica entregaram a Pilar del Rio o prémio luso-espanhol de Arte e Cultura 2016, numa cerimónia na Biblioteca Nacional de Espanha, à margem da sessão inaugural da Feira do Livro de Madrid.

“Sem Pilar del Rio, haveria um vazio enorme na Cultura de Portugal e Espanha”, resumiu Marcelo Rebelo de Sousa que esta manhã, com os reis de Espanha, inaugurou a 76.ª edição da Feira do Livro de Madrid, que este ano tem Portugal como país convidado.

O prémio luso-espanhol de Arte e Cultura 2016 foi anunciado em novembro do ano passado, tendo o júri decidido distinguir Pilar del Rio pelo seu trabalho “como fundadora e presidente da Fundação José Saramago, dedicada à defesa dos Direitos Humanos”. O prémio, atribuído pelos governos de Portugal e de Espanha, no valor de 75.000 euros, reconhece a obra de um criador no âmbito da arte e da cultura, que fomente a comunicação e cooperação cultural entre os dois países.

Pilar del Río é ainda distinguida pela “promoção da literatura portuguesa e o intercâmbio da cultura portuguesa, espanhola e latino-americana”, sustentou o júri. A presidente da Fundação José Saramago, que também é viúva do Nobel português, afirmou que o prémio recebido era como uma viagem “através das terras de Portugal e de Espanha, mas também uma viagem até à América Latina”.

A “Jangada de Pedra” é um romance de ficção de José Saramago que conta a história da separação geográfica da Península Ibérica dos restantes países do continente europeu. Para o ministro da Cultura de Espanha, Ínigo Méndez de Vigo, o prémio é um “reconhecimento” do que tem feito Pilar del Río, mas também a “obriga” a continuar o trabalho no que tanto gosta, “a cultura portuguesa e espanhola”.