Vários hospitais nas regiões de Lisboa e do Porto registaram uma adesão de 100% ou próxima da totalidade à greve desta sexta-feira, segundo um balanço da coordenadora da federação dos sindicatos da função pública.

Ana Avoila referiu que os hospitais de São José, em Lisboa, e Beatriz Ângelo, de Loures, registaram uma adesão de 100% dos trabalhadores à greve, assim como na maioria dos hospitais no Porto “está tudo a 100%”.

Os números relativos ao hospital Beatriz Ângelo contrariam aqueles que foram dados pela administração da unidade de Loures, que apontou, num comunicado divulgado cerca das 10h30, que “num universo de mais de 1.500 trabalhadores abrangidos pelo pré-aviso de greve, apenas três aderiram à paralisação durante a noite e outros três no turno da manhã”.

Para Ana Avoila, a situação apresenta-se como uma “manipulação dos dados” ou não saber “fazer contas”, tendo a dirigente sindical garantido que os piquetes de greve registaram no local uma adesão total.

O Beatriz Ângelo é um caso muito curioso porque temos tido grandes problemas, onde a administração não nos tem deixado entrar. Temos feito meses de trabalho sindical à porta.”

De acordo com um balanço feito por Ana Avoila cerca das 12h00, a adesão geral à greve rondou os 75%, com os setores da Saúde e da Educação a chegarem aos 90%.

Segundo a sindicalista, a adesão à greve na maioria dos serviços do hospital Fernando Fonseca (conhecido como Amadora-Sintra) é de 100%, no São Francisco Xavier, situado na zona do Restelo, ronda os 98%, no hospital pediátrico de Lisboa Dona Estefânia chega aos 95% e na maternidade Alfredo da Costa a 100%.

A sindicalista enumerou ainda uma “adesão mais fraca em Santa Marta, com 75%, e nos Capuchos a 70%”, ambos na cidade de Lisboa.

O balanço da coordenadora da federação dos sindicatos da função pública agrava os primeiros números que foram avançados à Lusa por sindicalistas locais nos distritos do Porto e Lisboa.

“Em termos geográficos não há nenhum desequilíbrio em termos da vontade dos trabalhadores em fazerem esta greve”, resumiu Ana Avoila, notando que os centros de saúde “têm sempre uma boa adesão, mas desta vez subiu”, dando os exemplos de Lisboa, Setúbal, Beja, Santarém, Porto e Coimbra.

Convocada pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS), a greve nacional de hoje na Função Pública foi anunciada no início de abril para reivindicar aumentos salariais, pagamento de horas extraordinárias e as 35 horas de trabalho semanais para todos os funcionários do Estado.

O regime das 35 horas foi reposto em julho de 2016, deixando de fora os funcionários com contrato individual de trabalho, sobretudo os que prestam serviço nos hospitais EPE.

A FNSTFPS, afeta à CGTP, é composta pelos sindicatos do norte, centro, sul, regiões autónomas e consulares, e representa 330 mil funcionários.

A última greve geral convocada pela FNSTFPS com vista à reposição das 35 horas semanais realizou-se em janeiro do ano passado, e teve, segundo a estrutura, uma adesão média entre 70% e 80%, incluindo os hospitais.